# O Apostolado da Oração no Mundo

*Da Rede de Vals (1844) à Rede Mundial de Oração do Papa*

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## Sumário

- [Apresentação](#apresentacao)
- [1. Raízes: o Coração de Jesus antes de 1844](#1-raizes-o-coracao-de-jesus-antes-de-1844)
- [2. Vals, 1844: uma exortação que virou movimento](#2-vals-1844-uma-exortacao-que-virou-movimento)
- [3. Henri Ramière e a "Santa Liga" dos corações](#3-henri-ramiere-e-a-santa-liga-dos-coracoes)
- [4. O *Mensageiro* e a expansão pelos cinco continentes](#4-o-mensageiro-e-a-expansao-pelos-cinco-continentes)
- [5. O século XX: reparação, consagração e Cruzada Eucarística](#5-o-seculo-xx-reparacao-consagracao-e-cruzada-eucaristica)
- [6. O Concílio Vaticano II e os Estatutos de 1968](#6-o-concilio-vaticano-ii-e-os-estatutos-de-1968)
- [7. A Recriação (2009–2018)](#7-a-recriacao-20092018)
- [8. Fundação Vaticana: a Rede hoje](#8-fundacao-vaticana-a-rede-hoje)
- [9. Espiritualidade: oferecimento, intenções, Caminho do Coração](#9-espiritualidade-oferecimento-intencoes-caminho-do-coracao)
- [10. O Movimento Eucarístico Jovem](#10-o-movimento-eucaristico-jovem)
- [11. O Apostolado da Oração no Brasil](#11-o-apostolado-da-oracao-no-brasil)
- [12. Portugal e outros rostos nacionais da Rede](#12-portugal-e-outros-rostos-nacionais-da-rede)
- [Apêndice A — Cronologia](#apendice-a-cronologia)
- [Apêndice B — Estatutos de 1968 e indulgências](#apendice-b-estatutos-de-1968-e-indulgencias)
- [Apêndice C — Glossário](#apendice-c-glossario)
- [Referências](#referencias)

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# Apresentação

> "Orai sem cessar." (1Ts 5,17)

Poucas associações católicas atravessaram quase dois séculos conservando o mesmo núcleo e, ao mesmo tempo, mudando tanto de forma. O Apostolado da Oração nasceu em 1844 numa casa de formação de jovens jesuítas no sul da França, espalhou-se pelo mundo em poucas décadas, chegou a reunir dezenas de milhões de associados, atravessou duas guerras mundiais e um Concílio e, já no século XXI, foi reconfigurado pela Santa Sé como Rede Mundial de Oração do Papa, com sede no Vaticano [1, 3, 4]. A intuição, porém, continua a mesma: qualquer batizado, onde estiver, pode colaborar com a missão da Igreja oferecendo a Deus, a cada dia, a própria vida, unida ao Coração de Cristo [1, 21].

Este livro nasceu de um livreto brasileiro, *História e Estatutos do Apostolado da Oração*, que narra a fundação do movimento, sua chegada ao Brasil e reproduz os Estatutos aprovados pela Santa Sé em 1968 [1]. O livreto é precioso, mas curto, e termina onde começa a fase mais recente da história: a chamada "Recriação", a mudança de nome, a elevação a Obra Pontifícia e a Fundação Vaticana. O objetivo destas páginas é ampliar aquele material até oferecer uma visão completa do Apostolado da Oração em escala mundial.

## As fontes deste livro

Tudo o que se afirma aqui foi conferido em fontes de autoridade, indicadas por números entre colchetes que remetem às Referências, no fim do volume. Em ordem de peso, são elas:

- **documentos da Santa Sé**: encíclicas sobre o Coração de Jesus, o quirógrafo de 2020, os Estatutos de 2018 e de 2024, discursos dos Papas Francisco e Leão XIV à Rede [4, 5, 8, 9, 16-21, 23];
- **documentos e páginas oficiais da Rede Mundial de Oração do Papa**, da Companhia de Jesus e do seu Arquivo Romano [3, 7, 11, 22, 27, 36];
- **obras de referência e estudos acadêmicos**, como a *Catholic Encyclopedia* de 1907, o registro de autoridade da Biblioteca Nacional da França e um estudo universitário sobre as origens da Cruzada Eucarística [6, 38, 39];
- **imprensa católica de referência e sites diocesanos** (Vatican News, Agência Ecclesia, *America*, *National Catholic Register*, *O São Paulo*, Arquidiocese de Mariana) para fatos e eventos [10, 12, 14, 24-26, 40-42];
- o **livreto brasileiro** que deu origem ao projeto [1] e o índice de nomes e datas preparado a partir dele [2].

Verbetes de enciclopédias abertas foram usados apenas como mapa, para localizar documentos, e citados só quando não havia fonte melhor para um dado secundário; nesses casos, a referência vem identificada como tal.

## Quando as fontes discordam

Em várias passagens as fontes não coincidem: a data exata da fundação (2 ou 3 de dezembro de 1844), o lugar da morte do Pe. Gautrelet, o ano da morte do Pe. Henri Ramière (1883 ou 1884), o ano em que os Papas começaram a confiar intenções mensais ao Apostolado (1879 ou 1890), o início da Recriação (2009 ou 2010), o nome do congresso brasileiro de 1900 e, sobretudo, o número atual de membros, que vai de 22 a 50 milhões conforme quem conta. Em vez de escolher uma versão em silêncio, o livro apresenta as divergências em quadros de *Nota* e diz de onde vem cada número.

## Como este livro foi verificado

O texto passou por duas auditorias independentes. Na primeira, 74 afirmações centrais foram conferidas nas fontes. Na segunda, o texto integral de cada fonte foi baixado e cada dado foi comparado diretamente com o original. Todos os números e datas acompanhados de nota (cerca de 400) aparecem de fato na fonte citada; as citações literais de fontes em português foram comparadas palavra por palavra, e as traduções de fontes estrangeiras, pelo sentido. Nessa revisão, dados que antes dependiam de enciclopédias abertas foram substituídos, sempre que possível, por fontes de maior autoridade: os Estatutos da Fundação Vaticana, o catálogo da Biblioteca Nacional da França, um estudo universitário, a Agência Ecclesia e sites oficiais de arquidioceses e prefeituras. Os dados que ainda dependem de fonte fraca estão identificados no próprio texto.

## Como ler

Os capítulos seguem a ordem do tempo. Os capítulos 1 a 5 contam as origens e a expansão do movimento até meados do século XX; o capítulo 6 trata do Concílio Vaticano II e dos Estatutos de 1968; os capítulos 7 e 8 narram a Recriação e a configuração atual como Fundação Vaticana. O capítulo 9 é dedicado à espiritualidade — o oferecimento diário, as intenções do Papa e o "Caminho do Coração" —, e o capítulo 10 ao braço juvenil, o Movimento Eucarístico Jovem. Os capítulos 11 e 12 olham para as realizações nacionais, com atenção especial ao Brasil e a Portugal. Nos apêndices estão uma cronologia, o texto dos Estatutos de 1968 tal como transmitido pelo livreto brasileiro e um pequeno glossário.

Cada capítulo termina com um quadro *Em síntese* e com perguntas *Para refletir*, pensadas para grupos do Apostolado da Oração, equipes do MEJ e encontros de formação.

> [!Nota] Sobre os nomes
> Ao longo do livro, "Apostolado da Oração" (AO) designa a associação desde 1844; "Rede Mundial de Oração do Papa" (RMOP) designa a mesma obra a partir da Recriação. Os Estatutos de 2018 usam as duas expressões juntas: "Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração)" [21].

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# 1. Raízes: o Coração de Jesus antes de 1844

> "Um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água." (Jo 19,34)

O Apostolado da Oração não surgiu no vazio. Quando o Pe. Gautrelet falou aos jovens jesuítas de Vals, em 1844, a devoção ao Coração de Jesus já tinha uma longa história, e a Companhia de Jesus já se sentia particularmente responsável por ela. Entender essa herança ajuda a compreender por que o movimento, desde o início, uniu duas coisas que à primeira vista parecem distintas: a oração apostólica pela missão da Igreja e o culto ao Coração de Cristo [1, 21].

## O lado aberto e o coração que ama

A tradição cristã sempre leu com atenção a cena do Calvário narrada por São João: o lado de Cristo aberto pela lança, de onde brotam sangue e água. Os Estatutos de 1968 retomam essa imagem ao dizer que o Salvador, "do seu Coração transpassado deu vida à Igreja" (Jo 19,34) [1]. Na encíclica *Haurietis aquas*, de 1956, Pio XII sistematizou esse ensinamento, apresentando o Coração de Jesus como o principal sinal e símbolo de um amor tríplice: o amor divino do Verbo, o amor sobrenatural da alma humana de Cristo e o seu amor sensível, humano, com o qual ama o Pai eterno e todos os homens [17].

Não se trata, portanto, de uma devoção periférica, mas de um modo de contemplar o centro da fé: o amor de Deus que se fez carne e se entregou até o fim. Por isso os Estatutos de 1968 dizem que o Apostolado da Oração "atribui singular importância ao culto do Coração de Jesus", pelo qual os fiéis penetram "mais profundamente no mistério do amor de Cristo" [1].

## Paray-le-Monial e Santa Margarida Maria

A forma moderna dessa devoção tem um lugar e um nome. No mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial, na Borgonha, a religiosa Margarida Maria Alacoque relatou uma notável série de aparições de Cristo entre o fim de dezembro de 1673 e junho de 1675, nas quais Ele lhe mostrava o seu Coração e lhe pedia que o fizesse conhecido e amado [19]. Na encíclica *Dilexit nos* (2024), o Papa Francisco dedica vários parágrafos a essas revelações e cita as palavras que ela atribuiu a Jesus: o seu Coração divino estava tão inflamado de amor pelos homens que precisava derramá-lo por meio dela [19].

Pio XI, na encíclica *Miserentissimus Redemptor* (1928), recorda outra frase que se tornou célebre: Jesus, mostrando o seu Coração à santa, queixava-se de que, em troca de tanto amor, recebia sobretudo ingratidão e desprezo [18]. Dessa queixa nasceram as práticas que marcariam a piedade católica por três séculos — a comunhão reparadora, a Hora Santa, a comunhão das primeiras sextas-feiras do mês —, que o mesmo Pio XI descreve como desejadas por Cristo e aprovadas pela Igreja [18].

Pio XII, por sua vez, sublinha o zelo de Margarida Maria em fazer com que o sentido verdadeiro da devoção fosse bem compreendido e distinguido de outras formas de piedade [17]. A santa não inventou o culto ao Coração de Jesus: a mesma encíclica lembra que, antes dela, o promoveram São Boaventura, Santo Alberto Magno, Santa Gertrudes, Santa Catarina de Sena, São Pedro Canísio e São Francisco de Sales, e que São João Eudes compôs o primeiro ofício litúrgico em honra do Sagrado Coração [17]. Mas foi a partir de Paray-le-Monial que a devoção ganhou o impulso que a tornou universal.

> [!Nota] Um jubileu recente
> O ciclo dos 350 anos das aparições (1673–1675) foi lembrado pela Santa Sé em 2024 [19], e em julho de 2025 a Rede Mundial de Oração do Papa celebrou em Paray-le-Monial um jubileu com mais de 300 participantes de 19 países [10]. O lugar continua a ser, para o movimento, uma espécie de casa de origem espiritual.

## Um jesuíta ao lado da santa

Ao lado de Margarida Maria esteve um jesuíta, São Cláudio de La Colombière, que, ao conhecer as experiências da santa, logo assumiu a sua defesa e começou a divulgar as aparições [19]. Francisco dedica-lhe uma seção da *Dilexit nos* e cita a oração de confiança que o tornou conhecido, na qual ele se declara convencido de que Deus vela por aqueles que nele esperam [19]. A presença de um jesuíta no nascimento da devoção moderna não é um pormenor: a partir daí, a Companhia de Jesus passou a ver a difusão do culto ao Coração de Jesus como uma missão confiada a ela.

Essa consciência atravessa os séculos. Em 1986, em peregrinação a Paray-le-Monial, São João Paulo II escreveu ao Superior Geral dos jesuítas, Pe. Peter-Hans Kolvenbach, reconhecendo que a Companhia tinha acolhido generosamente essa missão ao longo de três séculos, e pediu-lhe que fizesse "todos os esforços possíveis" para difundir o culto ao Coração de Cristo [20]. Na mesma carta, o Papa recorda ter confiado aos jesuítas, no ano anterior, a obra do Apostolado da Oração, "estreitamente ligada à devoção ao Sagrado Coração" [20]. Os Estatutos de 2018 da Rede Mundial de Oração do Papa citam essa carta para explicar por que o movimento mantém e promove, desde o início, a devoção ao Coração de Jesus [21].

As próprias Congregações Gerais da Companhia registraram esse vínculo: a 23ª, em 1883, acolheu a devoção ao Sagrado Coração "com um espírito transbordante de alegria e gratidão", e a 26ª, em 1915, confiou essa missão ao Apostolado da Oração [22].

## Da devoção privada à festa universal

Durante o século XVIII e início do XIX, a devoção espalhou-se por confrarias, dioceses e ordens religiosas. O passo decisivo para a Igreja inteira veio em 1856, quando o Papa Pio IX estendeu a festa litúrgica do Sagrado Coração de Jesus a toda a Igreja e mandou que fosse devidamente celebrada [17]. Foi justamente para comemorar o centenário dessa decisão que Pio XII publicou a *Haurietis aquas*, em 15 de maio de 1956, como recorda a carta do Cardeal Cicognani que apresenta os Estatutos de 1968 [1, 17].

Quando o Apostolado da Oração nasce, em 1844, estamos portanto doze anos antes da festa universal: a devoção está em plena expansão, mas ainda não tem, em escala mundial, uma forma associativa simples, acessível a qualquer fiel. É essa forma que Vals vai oferecer.

## Por que isso importa para o Apostolado da Oração

Três elementos dessa herança passam diretamente para o novo movimento:

1. **O amor como ponto de partida.** A oração apostólica não nasce de um dever, mas da resposta ao amor de Cristo. Os Estatutos de 1968 dizem que os membros correspondem "ao amor com que nosso Salvador, imolando-se pela salvação do mundo", deu vida à Igreja [1].
2. **A reparação.** A ideia de oferecer orações e sacrifícios em reparação dos pecados próprios e do mundo, central em Paray-le-Monial e em Pio XI, entra no programa do Apostolado [1, 18].
3. **A Eucaristia.** A comunhão reparadora e a Hora Santa preparam o terreno para o que será o coração do oferecimento diário: unir a própria vida ao sacrifício de Cristo na Missa [1, 18].

No capítulo seguinte veremos como essas raízes se encontraram com o zelo missionário de um grupo de seminaristas jesuítas, numa tarde de dezembro de 1844.

> [!Em síntese]
> - A devoção ao Coração de Jesus contempla o amor de Deus encarnado, simbolizado no Coração transpassado de Cristo (Jo 19,34).
> - Sua forma moderna nasce em Paray-le-Monial, com Santa Margarida Maria Alacoque e o jesuíta São Cláudio de La Colombière.
> - Pio IX estendeu a festa do Sagrado Coração a toda a Igreja em 1856; Pio XI (1928), Pio XII (1956) e Francisco (2024) dedicaram encíclicas ao tema.
> - A Companhia de Jesus assumiu a difusão dessa devoção como missão, e a confiou de modo especial ao Apostolado da Oração.

> [!Para refletir]
> - Que diferença faz rezar "por dever" ou rezar como resposta a um amor recebido?
> - Quais práticas ligadas ao Coração de Jesus (primeira sexta-feira, Hora Santa, consagração) ainda existem na sua comunidade?

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# 2. Vals, 1844: uma exortação que virou movimento

> "A messe é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe." (Lc 10,2)

Vals-près-le-Puy é uma pequena localidade junto a Le Puy-en-Velay, no maciço central francês. Ali funcionava, em meados do século XIX, uma casa de formação da Companhia de Jesus, onde jovens jesuítas estudavam filosofia e teologia antes da ordenação [1, 3]. Foi nesse ambiente, longe de qualquer campo de missão, que nasceu a ideia que daria origem ao Apostolado da Oração.

## Jovens impacientes pela missão

O século XIX foi um grande século missionário. As ordens religiosas, restauradas depois das turbulências da Revolução Francesa, voltavam a enviar homens para a Ásia, a África, a Oceania e as Américas. Os escolásticos de Vals — assim se chamam os jesuítas em formação — liam as cartas dos missionários e sonhavam partir. Mas os anos de estudo pareciam-lhes um tempo perdido, um adiamento da verdadeira vida apostólica.

É esse o contexto da exortação do Pe. François-Xavier Gautrelet (em português, Francisco Xavier Gautrelet), diretor espiritual do colégio, segundo a Rede em Portugal [27]. Segundo o livreto brasileiro, no dia 3 de dezembro de 1844, festa de São Francisco Xavier, ele explicou aos jovens "animados de zelo pelas missões" como as orações e sacrifícios poderiam levar "preciosíssimo auxílio" àqueles que já trabalhavam na seara do Senhor [1]. A página oficial da Rede Mundial de Oração do Papa resume a mesma cena: os jovens jesuítas foram encorajados a oferecer a sua vida cotidiana em oração pela missão da Igreja [3].

A intuição era simples e profunda. Não era preciso esperar a ordenação nem a partida para colaborar com a missão. O estudo, o trabalho, as pequenas contrariedades de cada dia, oferecidos a Deus em união com Cristo, já eram apostolado. Um documento do Movimento Eucarístico Jovem, apresentado em 2012 ao Pontifício Conselho para os Leigos, descreve assim a descoberta daqueles seminaristas: eles aprenderam que a sua vida diária já era útil à Igreja, que podiam colaborar com a missão de Cristo oferecendo orações, trabalhos, estudos, alegrias e sofrimentos, e que podiam encontrar Deus em tudo o que faziam [15].

> [!Nota] 2 ou 3 de dezembro?
> O livreto brasileiro [1] e a página da Rede em Portugal [27] situam a exortação no dia da festa de São Francisco Xavier, 3 de dezembro de 1844. O verbete da Wikipédia em inglês fala em 2 de dezembro, véspera da festa, quando Gautrelet teria exposto a ideia aos escolásticos numa meditação [30]; é possível que a proposta tenha sido feita na véspera e acolhida no dia da festa. A tradição do movimento fixou a data em 3 de dezembro, e São Francisco Xavier é o seu padroeiro principal [1, 21].

## O fundador: François-Xavier Gautrelet

Segundo o registro de autoridade da Biblioteca Nacional da França, o Pe. Gautrelet nasceu em 15 de fevereiro de 1807, em Sampigny (Saône-et-Loire), entrou na Companhia de Jesus em 1829, foi ordenado sacerdote em 1835, foi provincial de Lyon de 1858 a 1861 e morreu em 4 de julho de 1886, em Montluçon (Allier) [39]. Foi escritor espiritual prolífico, autor de obras sobre a vida religiosa, a Eucaristia e a devoção ao Sagrado Coração [29].

> [!Nota] Onde morreu Gautrelet?
> A Wikipédia em francês situa a morte de Gautrelet em Montbrison (Loire) [29]; o registro da Biblioteca Nacional da França, fonte de maior autoridade, indica Montluçon (Allier) [39]. Este livro segue a BnF. Não foi, porém, o grande organizador do movimento: esse papel caberá, como veremos, a um confrade mais novo, o Pe. Henri Ramière. A contribuição de Gautrelet foi a centelha inicial — a percepção de que a oração podia ser, ela mesma, uma forma de apostolado — e o primeiro esboço de organização.

## Uma pequena organização

As ideias da exortação foram imediatamente postas em prática pelos seminaristas dentro do colégio [1]. Para difundi-las, o Pe. Gautrelet sugeriu uma pequena organização, que recebeu o nome de "Apostolado da Oração" [1]. O nome já dizia tudo: não se tratava de uma confraria de devoção a mais, mas de uma forma de participar da missão apostólica da Igreja por meio da oração.

A proposta saiu rapidamente dos muros de Vals. Alguns sacerdotes a divulgaram nas regiões vizinhas; em pouco tempo ela se tornou conhecida em toda a França e passou às outras nações [1]. Os Estatutos atuais da Fundação Vaticana resumem essa origem dizendo que a iniciativa, criada na França em 1844 pelo Pe. François-Xavier Gautrelet, dirigia-se inicialmente aos jovens jesuítas em formação [5]. A *Catholic Encyclopedia* de 1907 descreve o Apostolado, nessa primeira forma, como uma associação piedosa, "uma liga de oração em união com o Coração de Jesus", fundada em Vals em 1844 por Francis X. Gautrelet [6].

## Aprovação da Igreja e primeiras indulgências

Como toda associação de fiéis, o Apostolado precisava do reconhecimento da autoridade eclesiástica. A obra foi aprovada pelo Bispo de Le Puy, e o Papa Pio IX concedeu-lhe, em 1849, as primeiras indulgências [1, 27]. Para a mentalidade da época, as indulgências eram um sinal visível de que a Igreja reconhecia e recomendava uma prática; para os associados, eram também um estímulo espiritual.

## O que havia de novo

É justo perguntar o que Vals trouxe de realmente novo, já que a Igreja sempre rezou pelas missões. A novidade estava em três pontos:

- **A universalidade.** O Apostolado não exigia retirar-se do mundo nem assumir práticas pesadas. Bastava a disposição de oferecer a própria vida cotidiana. Qualquer pessoa, de qualquer condição, podia ser "apóstolo".
- **A ligação entre vida e missão.** O centro não era um conjunto de orações, mas o oferecimento da vida inteira — trabalho, estudo, sofrimento, alegria — pelas intenções da Igreja [1, 15].
- **O vínculo com o Coração de Jesus.** Desde cedo, o oferecimento foi entendido como união ao Coração de Cristo, que continua a oferecer-se ao Pai pela salvação do mundo [6, 21].

Essa combinação explica o crescimento extraordinário das décadas seguintes. Mas, para que a centelha de Vals se tornasse um movimento mundial, era preciso alguém que lhe desse forma, doutrina e meios de comunicação. Esse alguém foi o Pe. Henri Ramière.

> [!Em síntese]
> - O Apostolado da Oração nasceu em 1844, numa casa de formação jesuíta em Vals, perto de Le Puy (França).
> - O Pe. François-Xavier Gautrelet (1807–1886) propôs aos escolásticos oferecer a vida diária pela missão da Igreja.
> - A tradição fixa a data em 3 de dezembro, festa de São Francisco Xavier, padroeiro do movimento.
> - A obra foi aprovada pelo Bispo de Le Puy e recebeu de Pio IX as primeiras indulgências em 1849.

> [!Para refletir]
> - Que "tempos de espera" da sua vida poderiam ser vividos como missão, e não como adiamento?
> - O que significa, concretamente, oferecer um dia de trabalho ou de estudo pela missão da Igreja?

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# 3. Henri Ramière e a "Santa Liga" dos corações

> "Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será concedido." (Jo 15,7)

Se Gautrelet acendeu a chama, foi o Pe. Henri Ramière quem a transformou num incêndio. O livreto brasileiro é taxativo: a divulgação do Apostolado da Oração no mundo deve-se "sobretudo" a ele, "o grande organizador e promotor do AO", que explicou a doutrina da obra de maneira acessível e lhe deu "uma forma definitiva" [1]. A *Catholic Encyclopedia* diz o mesmo com outras palavras: o Apostolado deve a sua popularidade em grande parte a Ramière [6].

## Quem foi Henri Ramière

Henri Ramière nasceu em Castres, no sul da França, em 10 de julho de 1821 [28, 47]. Estudou em colégios jesuítas fora da França, em Pasajes (Espanha) e em Friburgo (Suíça), e entrou na Companhia de Jesus em 1839 [28, 47]. Foi ordenado sacerdote em 10 de janeiro de 1847, precisamente em Vals-près-le-Puy, e lecionou filosofia no colégio de Stonyhurst, na Inglaterra [28]. Mais tarde foi teólogo no Concílio Vaticano I (1869–1870) e professor de filosofia do direito e depois de teologia na Faculdade Católica de Toulouse [28, 47]. Escreveu, entre outras obras, *Les Espérances de l'Église* e *Le Règne social du Cœur de Jésus* [28].

A formação em Vals ligou-o desde cedo à intuição de Gautrelet. O que ele trouxe de próprio foi um temperamento de organizador, uma pena fluente e a convicção de que a oração dos fiéis, bem orientada, podia sustentar a Igreja inteira.

## 1861: o livro e a revista

O ano decisivo foi 1861. Ramière publicou nesse ano o livro *O Apostolado da Oração, santa Liga de corações cristãos unidos ao Coração de Jesus*, que era uma reedição ampliada de um opúsculo anterior de Gautrelet [1]. A *Catholic Encyclopedia* acrescenta que, nesse mesmo ano, ele adaptou a organização do Apostolado às paróquias e a várias instituições católicas, e tornou-o conhecido pelo seu livro, traduzido em muitas línguas [6].

No mesmo ano começou também a publicar uma revista mensal, o *Mensageiro do Coração de Jesus* (*Le Messager du Cœur de Jésus*) [1, 3]. A revista será o grande instrumento de difusão do movimento e merece um capítulo próprio (capítulo 4). Basta dizer aqui que Ramière a dirigiu pessoalmente e que ela chegou a ser impressa em várias línguas [28].

> [!Nota] "Santa Liga"
> A expressão do título de 1861 — uma *liga* de corações — diz muito sobre o modo como Ramière via o Apostolado: não uma confraria local, mas uma aliança espiritual de alcance mundial, em que milhões de pessoas unem as suas orações, em torno do Coração de Cristo, pelas mesmas intenções.

## A estrutura: os três graus

Ramière deu ao movimento uma estrutura simples, que a *Catholic Encyclopedia* descreve em três práticas correspondentes a três graus de pertença [6]:

1. **Primeiro grau:** o oferecimento diário das orações, obras e sofrimentos.
2. **Segundo grau:** a recitação diária de uma dezena do terço pelas intenções especiais do Santo Padre, recomendadas aos membros a cada mês.
3. **Terceiro grau:** a comunhão com espírito de reparação, mensal ou semanal, nos dias designados.

Os associados eram também convidados à Hora Santa, em meditação sobre a Paixão [6]. A beleza do esquema estava na sua gradualidade: qualquer pessoa podia entrar pelo primeiro grau, e quem desejasse podia avançar para compromissos maiores.

A organização local se fazia por "centros". Para erigir um centro era preciso um diploma de agregação, emitido através dos editores do *Mensageiro* em cada país; diretores diocesanos cuidavam da agregação dos centros locais, e o Geral da Companhia de Jesus, por meio de um delegado, dirigia o conjunto [6]. Essa arquitetura — direção geral jesuíta, secretariados nacionais ligados às revistas, diretores diocesanos e centros paroquiais — sobreviveria, com adaptações, até o século XXI.

## Os estatutos do século XIX

À medida que crescia, o Apostolado precisou de normas escritas. O preâmbulo dos Estatutos atuais da Fundação Vaticana informa que os Estatutos do Apostolado foram modificados em 1866, 1879, 1896, 1968 e 2018, tornando-se cada vez mais um serviço da Santa Sé ligado à oração pelas intenções do Papa, "como desejaram especialmente Leão XIII e Pio XI" [5]. A *Catholic Encyclopedia* registra que os estatutos de 1896 foram revistos e aprovados por Leão XIII e definiam a natureza, a constituição e a organização da obra, cujo objetivo é promover a oração pelas intenções comuns dos membros em união com a intercessão de Cristo no céu [6].

> [!Nota] Uma inexatidão antiga
> A mesma *Catholic Encyclopedia* afirma que os "primeiros estatutos" de 1879 foram aprovados por Pio IX [6]. A atribuição é impossível, pois Pio IX morreu em fevereiro de 1878, e o pontífice em 1879 já era Leão XIII. A cronologia oficial, que registra estatutos já em 1866 [5], sugere que a primeira aprovação, sob Pio IX, seja a de 1866, e que 1879 e 1896 correspondam a revisões do tempo de Leão XIII.

## Leão XIII e as intenções do Papa

A mudança mais importante do fim do século XIX foi o vínculo direto com o Papa. Com Leão XIII, o Papa passou a confiar ao movimento as suas próprias intenções de oração, nas quais exprimia as suas preocupações e pedia a todos os católicos que rezassem por elas [10, 30].

> [!Nota] 1879 ou 1890?
> A página oficial da Rede diz que foi em 1879 que Leão XIII introduziu a prática da intenção mensal de oração [3]. A revista *America*, em artigo escrito pela diretora-adjunta do escritório da Rede nos Estados Unidos, diz que Leão XIII começou a confiar as suas intenções ao Apostolado em 1890 [10]; a Wikipédia em inglês situa o envolvimento do Papa entre 1890 e 1896 [30]. É possível que as duas datas marquem etapas diferentes do mesmo processo — a aprovação de estatutos que previam as intenções (1879) e a entrega regular, pelo próprio Papa, das intenções de cada mês (a partir de 1890).

Desde então, todos os Papas mantiveram o costume [10]. É a partir daqui que o Apostolado da Oração se torna, de modo cada vez mais nítido, "a rede de oração do Papa" — expressão que, mais de um século depois, se tornará o seu próprio nome.

Leão XIII também levou ao ponto mais alto a devoção que o Apostolado promovia: na encíclica *Annum sacrum*, de 25 de maio de 1899, ordenou a consagração de todo o gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus, a ser feita num tríduo de 9 a 11 de junho daquele ano [16]. Pio XII citaria mais tarde as palavras com que Leão XIII apresentava o Sagrado Coração como sinal do favor de Deus oferecido ao olhar do mundo [17].

## A morte de Ramière e o balanço de uma vida

Quando Ramière morreu, o Apostolado era já uma realidade mundial. O livreto brasileiro registra que, nessa ocasião, a obra contava com 35.600 centros e mais de 13 milhões de associados [1]; a página da Rede em Portugal fala em "35 mil centros, com mais de 13 milhões de associados" [27]; o verbete francês sobre Ramière menciona igualmente 13 milhões de membros [28]; e o preâmbulo dos Estatutos de 2024 fala em "cerca de treze milhões de membros em muitos países" nessa fase de expansão [5].

> [!Nota] 1883 ou 1884?
> O livreto brasileiro [1] e a página portuguesa [27] datam a morte de Ramière em 1883. O registro de autoridade da Biblioteca Nacional da França indica 3 de janeiro de 1884 [47]; o verbete francês acrescenta que a morte ocorreu em Toulouse e que Leão XIII nomeou o seu sucessor, o Pe. Émile Régnault, em 20 de janeiro de 1884 [28]. A proximidade das datas explica a divergência: a morte ocorreu nos primeiros dias de 1884, e os números citados referem-se ao estado da obra no fim de 1883.

A figura de Ramière liga o Apostolado da Oração a uma teologia ampla: a esperança de que o Reino de Cristo transformasse não só as almas, mas também a sociedade — o "reinado social do Coração de Jesus". Essa dimensão social, mais tarde purificada pelo Concílio Vaticano II, reaparecerá na Recriação do século XXI com outro vocabulário: a "compaixão pelo mundo" e o propósito de "pôr-se a serviço dos desafios da humanidade" [5, 21].

> [!Em síntese]
> - Henri Ramière (1821–1884) é o grande organizador do Apostolado da Oração.
> - Em 1861 publicou *O Apostolado da Oração, santa Liga de corações cristãos unidos ao Coração de Jesus* e fundou o *Mensageiro do Coração de Jesus*.
> - Estruturou a pertença em três graus: oferecimento diário, dezena do terço pelas intenções do Papa e comunhão reparadora.
> - Os estatutos foram revistos em 1866, 1879 e 1896; com Leão XIII, o Papa passou a confiar ao Apostolado as suas intenções mensais.
> - À morte de Ramière, a obra tinha cerca de 35 mil centros e mais de 13 milhões de associados.

> [!Para refletir]
> - Por que uma estrutura simples, em "graus", pode ajudar mais pessoas a perseverar na oração?
> - O que muda quando rezamos não só pelas nossas intenções, mas pelas intenções que o Papa propõe a toda a Igreja?

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# 4. O *Mensageiro* e a expansão pelos cinco continentes

> "Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura." (Mc 16,15)

Um movimento de oração sem ligação entre os seus membros seria apenas uma soma de devoções particulares. O que fez do Apostolado da Oração uma rede, já no século XIX, foi uma ferramenta muito concreta: uma revista mensal. O *Mensageiro do Coração de Jesus* levava a cada associado as intenções do mês, explicava a doutrina do oferecimento, contava notícias de outros países e dava a milhões de pessoas a consciência de pertencer a uma mesma família espiritual.

## Toulouse, 1861

A revista nasceu em 1861, pelas mãos do Pe. Henri Ramière [1, 3]. O verbete francês sobre Ramière registra que ele a dirigiu e que ela chegou a mais de 20 mil assinantes em Toulouse, sendo impressa em nove ou dez línguas [28]. A página oficial da Rede resume o seu papel dizendo que, a partir de 1861, o *Mensageiro* começou a ligar milhões de pessoas através dos continentes [3].

O modelo era facilmente reproduzível. Cada país podia ter o seu *Mensageiro*, na própria língua, editado em geral por jesuítas locais, que traduzia as intenções e a doutrina comuns e acrescentava material próprio. Os editores dos *Mensageiros* tornaram-se, na prática, os secretários nacionais do Apostolado: era através deles que se pediam os diplomas de agregação de novos centros [6].

## A difusão das edições nacionais

O livreto brasileiro dá uma cronologia das primeiras edições estrangeiras: Itália em 1864; Áustria no ano seguinte; Estados Unidos e Espanha em 1866; Colômbia e Hungria em 1867; Inglaterra em 1868; Holanda e Bélgica em 1869 [1]. Em pouco mais de oito anos, a revista tinha atravessado os Alpes, os Pireneus e o Atlântico.

O crescimento continuou nas décadas seguintes. A *Catholic Encyclopedia* de 1907 fala em cerca de trinta editores de *Mensageiros* no mundo [6]. Por volta de 1941, segundo a Wikipédia em inglês, havia 72 *Mensageiros* publicados em 44 línguas [33]; a revista *America* confirma o mesmo número de "72 edições diferentes em 44 línguas" no auge da publicação [10].

| Edição | Início | Observações |
|---|---|---|
| França | 1861 | Fundada por Ramière; dirigida a partir de Toulouse [1, 28] |
| Itália | 1864 | Primeira edição estrangeira [1] |
| Áustria | 1865 | [1] |
| Estados Unidos e Espanha | 1866 | Na Espanha, por iniciativa do cônego José Morgades [1, 31] |
| Colômbia e Hungria | 1867 | [1] |
| Inglaterra | 1868 | [1] |
| Holanda e Bélgica | 1869 | [1] |
| Portugal | 1874 | O AO chegara ao país em 1864 [27, 40] |
| Irlanda | 1888 | Fundada pelo Pe. James Cullen, SJ, em Dublin [32] |
| Canadá | 1891 | Em Montreal; depois Toronto [33] |
| Brasil | 1896 | Fundada pelo Pe. Bartolomeu Taddei [1] |

## Três histórias nacionais

**Espanha.** O *Mensajero del Corazón de Jesús* nasceu em 1866 como boletim mensal do Apostolado da Oração, por iniciativa do cônego catalão José Morgades, que quis traduzir para o castelhano o boletim do jesuíta francês [31]. Em 1883 a revista passou de Barcelona para Bilbao e foi entregue à Companhia de Jesus, com o apoio da Universidade de Deusto; no auge, chegou a 100 mil assinantes na Espanha e na América [31]. Teve entre os seus diretores o Pe. Remigio Vilariño, fundador da revista *Sal Terrae*; atravessou a dissolução da Companhia na Espanha (1932) e a Guerra Civil — e Vilariño chegou a ser preso em 1939 — e em 2016 celebrava 150 anos de publicação ininterrupta [31].

**Irlanda.** O *Irish Messenger of the Sacred Heart* começou em janeiro de 1888, fundado pelo Pe. James Cullen, SJ, no Belvedere College, em Dublin; conta-se que o reitor lhe deu permissão, uma pequena sala e uma nota de uma libra [32]. A revista chegou a 9 mil exemplares no fim do primeiro ano e a 73 mil por mês em 1904 [32]. Hoje, com tiragem de cerca de 120 mil exemplares mensais, continua entre as publicações mais vendidas do país, com leitores na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália, na África e no Extremo Oriente [32].

**Canadá.** A edição canadense foi fundada em 1891; publicada em Montreal até 1925 e depois em Toronto, teve também uma versão francesa, o *Messager canadien du Sacré-Cœur*, e deixou de circular em junho de 2014 [33].

As edições de Portugal e do Brasil são contadas nos capítulos 11 e 12.

## Os números de uma expansão

Os números do Apostolado da Oração no fim do século XIX e início do XX impressionam mesmo para os padrões de hoje. Quando Ramière morreu, na passagem de 1883 para 1884 (ver capítulo 3), a obra contava cerca de 35 mil centros e mais de 13 milhões de associados [1, 27, 28]. Duas décadas depois, a *Catholic Encyclopedia* registra mais de 62.500 centros locais no mundo e mais de 25 milhões de membros [6]. O mesmo artigo detalha alguns países de língua inglesa:

| País | Centros locais (c. 1907) |
|---|---|
| Estados Unidos | 6.685 |
| Irlanda | 2.000 |
| Canadá | 1.800 |
| Inglaterra | 1.600 |
| Austrália | 400 |
| Escócia | 200 |

Só nos Estados Unidos seriam cerca de 4 milhões de membros [6].

## Por que cresceu tanto

Alguns fatores ajudam a explicar esse crescimento:

- **Simplicidade.** O primeiro grau do Apostolado exigia apenas o oferecimento diário. Não havia cotas, uniformes nem reuniões obrigatórias [6].
- **Estrutura leve e articulada.** Os centros locais dependiam de diretores diocesanos, que por sua vez se ligavam aos secretariados nacionais e à direção geral jesuíta [6]. A rede era ao mesmo tempo local e universal.
- **Comunicação regular.** O *Mensageiro* chegava todos os meses com as intenções, meditações e notícias, criando um sentimento de pertença que ultrapassava fronteiras [1, 3].
- **Apoio dos Papas.** As indulgências de Pio IX, as aprovações de estatutos e, sobretudo, a decisão de Leão XIII de confiar ao Apostolado as suas intenções mensais deram ao movimento autoridade e prestígio [1, 3, 10].
- **Sintonia com a piedade da época.** O século XIX viu o grande florescimento da devoção ao Sagrado Coração, que culminaria na consagração do gênero humano em 1899 [16].

## A casa das revistas

Com o tempo, as redações dos *Mensageiros* tornaram-se também editoras. Na Espanha, a Companhia de Jesus fundou em 1915 a Editorial Mensajero, ligada à revista [31]; na Irlanda, a Messenger Publications continua a publicar livros de espiritualidade [32]. Em muitos países, a revista do Apostolado foi o primeiro órgão de imprensa católica de grande circulação, e formou gerações de leitores.

Os Estatutos de 1968 conservarão esse traço, ao atribuir ao secretariado nacional a edição de revistas, folhetos e escritos, e ao exigir que as revistas, qualquer que seja o nome, "correspondam sempre ao fim do Apostolado da Oração" e indiquem que são revistas da obra [1].

> [!Em síntese]
> - O *Mensageiro do Coração de Jesus*, fundado por Ramière em 1861, foi o principal instrumento de difusão do Apostolado.
> - As edições nacionais multiplicaram-se rapidamente: Itália (1864), Áustria (1865), Estados Unidos e Espanha (1866), Colômbia e Hungria (1867), Inglaterra (1868), Holanda e Bélgica (1869), Portugal (1874), Irlanda (1888), Canadá (1891), Brasil (1896).
> - Por volta de 1941 havia 72 *Mensageiros* em 44 línguas.
> - Em 1907 o Apostolado contava mais de 62.500 centros e mais de 25 milhões de membros.

> [!Para refletir]
> - Que meios de comunicação cumprem hoje, na sua comunidade, o papel que o *Mensageiro* cumpria no século XIX?
> - O que faz alguém sentir que pertence a uma rede, e não apenas a um grupo local?

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# 5. O século XX: reparação, consagração e Cruzada Eucarística

> "Deixai vir a mim as crianças e não as impeçais." (Mc 10,14)

O Apostolado da Oração entrou no século XX como uma das maiores associações católicas do mundo. As décadas seguintes, marcadas por duas guerras mundiais, pela secularização e por grandes transformações sociais, trouxeram novos desafios e novos impulsos. Três deles marcaram profundamente o movimento: o nascimento da sua seção infantil e juvenil, a Cruzada Eucarística; a teologia da reparação de Pio XI e a organização das intenções papais; e a grande síntese doutrinal de Pio XII sobre o Coração de Jesus.

## A Companhia de Jesus assume a missão

Em 1915, em plena Primeira Guerra Mundial, a 26ª Congregação Geral da Companhia de Jesus confiou ao Apostolado da Oração a missão de difundir a devoção ao Coração de Jesus, que a 23ª Congregação, em 1883, já havia abraçado "com um espírito transbordante de alegria e gratidão" [22]. A partir daí, a direção do Apostolado não é apenas uma obra entre outras dos jesuítas, mas uma tarefa institucional da Companhia. As Normas Complementares da Companhia, citadas nos Estatutos de 2018, pedem que cada Província promova e acompanhe com especial atenção "o Apostolado da Oração e o Movimento Eucarístico Jovem, estes dois últimos por encargo da Santa Sé" [21].

## As crianças entram na rede: a Cruzada Eucarística

A página oficial do Movimento Eucarístico Juvenil conta que a participação de crianças no Apostolado é antiga: um padre francês (o "Padre Cross", no texto da página) propôs envolver os mais novos na missão de oração, e em 1881 um primeiro congresso internacional já reunia 100 mil membros [36]. O grande impulso, porém, veio de outro lado. Em 1910, pelo decreto *Quam singulari*, o Papa São Pio X abriu a primeira comunhão às crianças a partir da idade da razão [45], e o Congresso Eucarístico Internacional de Lourdes, em 1914, desejou a formação de "uma grande liga eucarística dos pequeninos" [36].

A resposta chegou em plena guerra. Em Bordéus, numa escola católica feminina, o cours Saint-Seurin, a religiosa professora Geneviève Boselli animava as alunas a apoiar os soldados na frente; em 13 de novembro de 1915, o jesuíta Albert Bessières foi ao cours Saint-Seurin, e dali nasceu a "Cruzada das crianças" [38]. O movimento cresceu depressa — cerca de 70 mil membros já no outono de 1916 — e mudou de nome: "Cruzada eucarística das crianças" em 1918 e "Cruzada Eucarística" em 1922 [38]. Os Estatutos atuais da Rede registram 1915 como o ano de nascimento da seção juvenil [5]. O documento apresentado pelo Movimento Eucarístico Jovem ao Pontifício Conselho para os Leigos, em 2012, situa a fundação da Cruzada em 1914 e a descreve como o braço jovem do Apostolado da Oração [15].

A Cruzada espalhou-se rapidamente pelos países onde o Apostolado já estava implantado. No Brasil, o primeiro grupo foi fundado em Itu (SP), a cidade do Pe. Bartolomeu Taddei [34]. A história completa desse ramo, que em 1962 passaria a chamar-se Movimento Eucarístico Jovem, é contada no capítulo 10.

## Pio XI: reparação e intenções

O pontificado de Pio XI (1922–1939) deu ao Apostolado duas contribuições importantes.

A primeira foi doutrinal. Na encíclica *Miserentissimus Redemptor*, de 8 de maio de 1928, o Papa desenvolveu o tema da reparação devida ao Sagrado Coração: além da consagração, que responde ao amor de Cristo com amor, é preciso a reparação, que compensa as ofensas feitas a Deus [18]. A encíclica recorda a comunhão reparadora, a Hora Santa e as primeiras sextas-feiras, elogia as associações aprovadas pela Sé Apostólica que se dedicam a essas práticas e manda recitar solenemente, todos os anos, na festa do Sagrado Coração, um ato de reparação em toda a Igreja [18]. Os Estatutos de 1968 conservarão essa dimensão: os membros oferecem ao Coração de Jesus "reparação pelos pecados próprios e do mundo" [1].

A segunda foi institucional. Os Estatutos atuais da Rede afirmam que o Apostolado se tornou cada vez mais um serviço da Santa Sé ligado à oração pelas intenções do Papa, como desejaram especialmente Leão XIII e Pio XI [5]. Ao longo do século XX, firmou-se o costume de o Papa propor duas intenções por mês — uma geral e outra missionária —, fórmula que ainda aparece em 2012 no testemunho citado abaixo [15]; com o Papa Francisco, a Rede passou a difundir uma única intenção mensal, apresentada também em vídeo [3, 14].

> [!Nota] Duas intenções por mês
> Um testemunho de 2012 do Pe. Claudio Barriga, SJ, então responsável internacional do MEJ, descreve o Apostolado da Oração como "o serviço da Igreja encarregado de difundir as duas intenções mensais do Papa" [15]. A fórmula mostra como, até a década de 2010, as duas intenções — geral e missionária — eram a marca registrada do movimento.

## Consagrar famílias, cidades e nações

Na primeira metade do século XX, o Apostolado da Oração tornou-se o grande promotor das consagrações ao Sagrado Coração. Pio XII, na *Haurietis aquas*, reconhece expressamente esse papel: fala das manifestações de piedade ardente promovidas pelo Apostolado da Oração, sob cujos auspícios e direção se consagraram ao Sagrado Coração famílias, colégios, instituições e, às vezes, nações inteiras [17].

O caso brasileiro é exemplar: o livreto do Secretariado Nacional conta que o Apostolado revitalizou a prática religiosa pela consagração das famílias, dos municípios, das cidades, dos estados e, por fim, do país inteiro, consagrado oficialmente ao Sagrado Coração de Jesus por ocasião do 36º Congresso Eucarístico Internacional, no Rio de Janeiro, em 1955 [1]. Em Portugal, a página oficial da Rede registra um dado de 1930: no primeiro Congresso do Apostolado da Oração em Braga, o país contava mais de 1.610 centros e cerca de 1.015.000 associados [27].

## *Haurietis aquas* (1956)

O ponto alto doutrinal do período é a encíclica *Haurietis aquas*, publicada por Pio XII em 15 de maio de 1956, no centenário da extensão da festa do Sagrado Coração a toda a Igreja [1, 17]. O título vem de Isaías: "Tirareis água com alegria das fontes da salvação" (Is 12,3). Pio XII responde às objeções de quem via na devoção um sentimentalismo e mostra o seu fundamento bíblico, patrístico e teológico: o Coração de Jesus é o sinal e símbolo principal do amor com que o Redentor ama o Pai e toda a humanidade [17].

A carta do Cardeal Cicognani de 1968, que apresenta os novos Estatutos, chama a *Haurietis aquas* de encíclica "cheia de admirável doutrina e piedade" e a coloca como referência para o culto do Coração de Jesus no Apostolado da Oração [1].

## O Arquivo do Apostolado

A documentação dessa longa fase está guardada no Arquivo Romano da Companhia de Jesus (ARSI), que conserva uma coleção própria do Apostolado da Oração, dos documentos de fundação de 1844 até 1958, fim do pontificado de Pio XII [7]. A coleção está organizada em três seções — antiga, moderna e iconográfica — e pode ser consultada por pesquisadores mediante agendamento [7].

## No limiar do Concílio

Em meados do século XX, o Apostolado da Oração estava presente em quase todo o mundo católico, com uma estrutura consolidada, revistas em dezenas de línguas e um ramo juvenil vigoroso. Mas a Igreja preparava-se para um Concílio que renovaria a compreensão da liturgia, do laicato e do apostolado. O Apostolado teria de reler a sua própria tradição à luz dessa renovação. É o que veremos no próximo capítulo.

> [!Em síntese]
> - Em 1915, a 26ª Congregação Geral dos jesuítas confiou ao Apostolado da Oração a difusão da devoção ao Coração de Jesus.
> - Em 13 de novembro de 1915 nasceu em Bordéus a "Cruzada das crianças", depois Cruzada Eucarística (1922), ramo infantil e juvenil do Apostolado.
> - Pio XI aprofundou a teologia da reparação (*Miserentissimus Redemptor*, 1928); ao longo do século XX, os Papas propuseram duas intenções mensais: geral e missionária.
> - Pio XII, na *Haurietis aquas* (1956), elogiou o Apostolado como promotor de consagrações de famílias, instituições e nações.

> [!Para refletir]
> - Como a ideia de "reparação" pode ser vivida hoje sem cair em uma espiritualidade triste ou culpabilizadora?
> - Que sentido tem, hoje, consagrar uma família ou uma comunidade ao Coração de Jesus?

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# 6. O Concílio Vaticano II e os Estatutos de 1968

> "Vós sois raça eleita, sacerdócio régio, nação santa, povo de sua particular propriedade." (1Pd 2,9)

O Concílio Vaticano II (1962–1965) não falou diretamente do Apostolado da Oração, mas quase tudo o que disse sobre o sacerdócio dos fiéis, a liturgia e o apostolado dos leigos parecia escrito para ele. Três anos depois do encerramento do Concílio, a Santa Sé aprovou novos Estatutos para a associação, que traduzem a sua intuição original na linguagem conciliar. Esses Estatutos, reproduzidos no livreto brasileiro que deu origem a este livro, vigoraram por cinquenta anos, até 2018 [1, 21].

## Um texto conciliar feito para o Apostolado

O trecho do Concílio que o Apostolado da Oração mais citaria é o número 34 da constituição dogmática *Lumen Gentium*, sobre a Igreja. Ele diz que Cristo concede aos leigos uma participação no seu sacerdócio, para que exerçam um culto espiritual; e que todas as suas obras, orações e iniciativas apostólicas, a vida conjugal e familiar, o trabalho cotidiano, o descanso do corpo e da alma, e até os incômodos da vida suportados com paciência, se feitos no Espírito, tornam-se "hóstias espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo" (1Pd 2,5), oferecidas ao Pai com a oblação do corpo do Senhor na Eucaristia [1]. E conclui: desse modo, os leigos, "como adoradores agindo santamente em toda a parte, consagram a Deus o próprio mundo" [1].

A tradução acima é a do livreto brasileiro; a tradução portuguesa oficial, no site da Santa Sé, fala em "sacrifícios espirituais" e diz que os leigos, "agindo em toda a parte santamente, como adoradores, consagram a Deus o próprio mundo" [43]. É praticamente uma definição do oferecimento diário. Não por acaso, o livreto brasileiro traz esse texto sob o título "O Vaticano II louva e recomenda o Oferecimento diário" [1].

## Pedro Arrupe e a revisão dos Estatutos

Na época, o Diretor Geral do Apostolado da Oração era, por direito, o Superior Geral da Companhia de Jesus — em 1968, o Pe. Pedro Arrupe [1]. Foi ele, com os seus colaboradores, quem preparou e apresentou ao Papa Paulo VI o texto dos novos Estatutos [1].

A Introdução dos Estatutos explica a razão da reforma: o Concílio insistiu na vocação de todos os fiéis ao apostolado, recomendou as associações que promovem a união entre vida prática e fé, e pediu que cada associação cultivasse a sua própria característica espiritual; como os estatutos anteriores tinham sido "muitas vezes reformados, de acordo com as exigências dos tempos", pareceu oportuno redigir novos Estatutos com a doutrina e o espírito do Vaticano II [1].

## A carta do Cardeal Cicognani

Os Estatutos foram aprovados pela Santa Sé em 27 de março de 1968 e apresentados por uma carta do Cardeal Amleto Giovanni Cicognani, Secretário de Estado de Paulo VI, dirigida ao Pe. Arrupe [1]. A carta é um pequeno tratado sobre o Apostolado. Nela, o Papa:

- elogia o esforço contínuo da Companhia de Jesus em promover a associação, "digna sem dúvida de ser incluída entre as mais salutares instituições que nasceram na Igreja" [1];
- destaca a "estreita união com o Sacrifício Eucarístico" proposta pelo oferecimento diário, de modo que a Missa se torne "o centro e o fundamento" da vida dos associados, em sintonia com a *Sacrosanctum Concilium*, a *Lumen Gentium* e a *Presbyterorum Ordinis* [1];
- valoriza o culto ao Coração de Jesus, remetendo à *Haurietis aquas* de Pio XII e à carta apostólica *Investigabiles divitias* do próprio Paulo VI (6 de fevereiro de 1965) [1];
- recomenda uma devoção mais intensa ao Espírito Santo e uma participação ativa na liturgia [1];
- recorda que "não vale nada o que planta nem o que rega, mas o que faz crescer" (1Cor 3,7), princípio de todo apostolado [1].

A carta termina recomendando a associação "a todos os filhos da Igreja, de qualquer condição que sejam", com uma frase que resume o seu valor: a ninguém se pode apresentar "outro auxílio tão poderoso e tão prático" para formar os fiéis no sentir com a Igreja, na oração frequente e no zelo apostólico [1].

## O que é o Apostolado da Oração, segundo 1968

A primeira parte dos Estatutos define o Apostolado a partir do Batismo: todos os fiéis participam do múnus sacerdotal, real e profético de Cristo e são chamados ao apostolado. Dentro dessa vocação universal, o Apostolado da Oração "constitui a união dos fiéis que, por meio do oferecimento cotidiano de si mesmos, se juntam ao Sacrifício Eucarístico", e assim, pela união vital com Cristo, "colaboram na salvação do mundo" [1].

O texto lembra que também Cristo uniu a pregação e as obras de misericórdia à oferta da própria vida ao Pai; por isso "todo apostolado externo deve estar unido à oração e ao sacrifício" [1]. E essa relação com Cristo Sacerdote exige amor pessoal — daí a "singular importância" do culto ao Coração de Jesus [1].

## O programa de vida espiritual

A segunda parte propõe um programa em cinco elementos, cujo centro é a Eucaristia [1]:

1. **A Missa e o oferecimento cotidiano.** O oferecimento diário une orações, trabalhos, sofrimentos e alegrias ao Sacrifício da Missa, pelas necessidades da Igreja e pela salvação do mundo; os associados são convidados a participar da Eucaristia com frequência, até diariamente, e a comungar [1].
2. **O culto ao Coração de Jesus**, com consagração pessoal, reparação pelos pecados próprios e do mundo e imitação do amor de Cristo aos irmãos [1].
3. **A devoção a Maria**, Mãe da Igreja, por meio de quem se faz o oferecimento; recomenda-se o terço diário, "ou pelo menos um mistério" [1].
4. **O sentir com a Igreja**, expresso no oferecimento pelas intenções que o Papa propõe cada mês por meio do Apostolado da Oração, e também pelas intenções dos bispos locais [1].
5. **O cuidado assíduo de orar**: leitura e meditação da Escritura, oração mental, retiros e Exercícios Espirituais, numa humanidade que vive "profundas e rápidas mudanças" [1].

A terceira parte trata da ação pastoral: a formação dos **zeladores** — os membros mais comprometidos, que animam os demais —, com cursos bíblicos, litúrgicos, espirituais, apostólicos e ecumênicos, segundo o capítulo 6 do decreto conciliar sobre o apostolado dos leigos; e o apostolado junto aos outros, "mesmo pelos meios atuais de comunicação social" [1].

## A estrutura

A quarta parte define a estrutura [1]:

- **Diretor Geral:** o Padre Geral da Companhia de Jesus, que pode delegar o ofício.
- **Secretários ou diretores nacionais e regionais**, nomeados pelo Diretor Geral, respeitando as normas da autoridade eclesiástica de cada país.
- **Diretores diocesanos**, sacerdotes nomeados pelo bispo; eles erigem os centros locais e nomeiam os diretores locais, que podem ser padres, religiosos ou leigos, homens ou mulheres.
- **Conselhos de leigos** junto aos diretores, conforme as normas canônicas.
- **Membros:** basta a inscrição ou outro sinal externo da vontade de pertencer.
- **Publicações:** cabem ao secretariado nacional.

A quinta parte prevê **seções** adaptadas — para jovens, homens, doentes, a unidade dos cristãos —, e a sexta estabelece que os Estatutos só podem ser mudados pela Santa Sé, admitindo adaptações locais com aprovação do Diretor Geral [1].

> [!Nota] O que mudaria em 2018
> Os Estatutos de 2018 registram expressamente duas novidades em relação a 1968: a nomeação de um diretor diocesano deixa de ser obrigatória em cada diocese e passa a ser feita "se parecer oportuno"; e o diretor diocesano já não precisa ser sacerdote, podendo ser religioso, religiosa, leigo ou leiga [21]. Também a expressão "secretários nacionais" dá lugar a "diretores nacionais" [21].

## As indulgências de 1968

A constituição apostólica *Indulgentiarum doctrina*, de Paulo VI (1º de janeiro de 1967), pediu às associações que revissem as suas indulgências [1]. Em resposta, um decreto da Sagrada Penitenciaria de 19 de fevereiro de 1968 concedeu aos membros do Apostolado indulgência plenária no dia da inscrição, no dia da consagração ao Sagrado Coração e na sua renovação anual, e nas festas de São Francisco Xavier (padroeiro principal, 3 de dezembro), do Sagrado Coração, de Cristo Rei, da Imaculada Conceição e de São Pedro e São Paulo [1]. As condições eram as habituais — confissão, comunhão, oração pelas intenções do Papa — e a promessa de guardar fielmente os Estatutos [1]. O texto completo está no Apêndice B.

## Um legado de meio século

Os Estatutos de 1968 deram ao Apostolado da Oração uma base teológica sólida, ancorada no sacerdócio batismal e na Eucaristia. Mas o mundo que se seguiu — urbanização, secularização acelerada, envelhecimento dos grupos paroquiais, revolução digital — exigiria mais do que uma atualização de linguagem. No início do século XXI, a Companhia de Jesus concluiu que o Apostolado precisava ser, nas suas palavras, "recriado".

> [!Em síntese]
> - O número 34 da *Lumen Gentium* descreve o oferecimento da vida dos leigos unido à Eucaristia e foi adotado como texto de referência do Apostolado.
> - Os novos Estatutos, preparados sob o Pe. Pedro Arrupe, foram aprovados pela Santa Sé em 27 de março de 1968.
> - O programa espiritual tinha cinco elementos: Missa e oferecimento, Coração de Jesus, Maria, sentir com a Igreja e oração assídua.
> - A estrutura ia do Diretor Geral (o Geral dos jesuítas) aos centros locais; as indulgências foram revistas por decreto de 19 de fevereiro de 1968.

> [!Para refletir]
> - Releia *Lumen Gentium* 34: que "hóstias espirituais" você poderia oferecer hoje?
> - Dos cinco elementos do programa de 1968, qual está mais vivo e qual está mais esquecido no seu grupo?

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# 7. A Recriação (2009–2018)

> "Avança para águas mais profundas, e lançai as vossas redes para a pesca." (Lc 5,4)

No início do século XXI, o Apostolado da Oração continuava presente em dezenas de países, mas em muitos lugares mostrava sinais de cansaço: grupos envelhecidos, linguagem distante das novas gerações, pouca ligação entre a oração e os desafios concretos do mundo. A resposta da Companhia de Jesus não foi uma simples reforma, mas um processo a que deu um nome ousado: "Recriação". O resultado foi uma nova identidade — a Rede Mundial de Oração do Papa — e um novo estatuto jurídico, o de Obra Pontifícia.

## 2009: o impulso do Pe. Adolfo Nicolás

O processo começou por iniciativa do Superior Geral da Companhia de Jesus, Pe. Adolfo Nicolás: em 2009, segundo a sede internacional e a Rede em Portugal [3, 27]; em 2010, segundo a Companhia de Jesus [11]. A proposta era aprofundar a tradição espiritual do Apostolado e atualizar a devoção ao Coração de Jesus para os dias de hoje [3]. A página da Rede em Portugal resume o programa em três frentes: transformar o Apostolado numa rede de oração, trabalhar em ligação com as dioceses e paróquias, e promover o Movimento Eucarístico Juvenil [27].

Um dos protagonistas foi o jesuíta francês Frédéric Fornos, antigo diretor nacional do Apostolado na França e então coordenador europeu, a quem o Pe. Nicolás convidou a Roma para conduzir o processo [11].

## 3 de dezembro de 2014: *Um caminho com Jesus em disponibilidade apostólica*

O marco da Recriação é um documento datado de Roma, 3 de dezembro de 2014 — festa de São Francisco Xavier e 170º aniversário da exortação de Vals —, intitulado *Um caminho com Jesus em disponibilidade apostólica*. Segundo os Estatutos de 2018, esse texto "tem a aprovação do Papa Francisco" e apresenta "o caminho de 'Recriação' do Apostolado da Oração para o tempo presente" [21]. Ele se tornou o documento de fundamentação espiritual da Rede, ao qual os Estatutos remetem para definir a sua espiritualidade [21].

A página oficial da Rede resume: em 2014, o Papa Francisco aprovou a nova identidade de "Rede Mundial de Oração do Papa" [3]. A mudança de nome não apagava o antigo: os Estatutos de 2018 falam da "Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração)" e dizem que o Apostolado, "ao transformar-se em rede de oração em todo o mundo", exprime um renovado sentido de comunhão espiritual entre pessoas e grupos, em união com o Papa [21].

> [!Nota] O que significa "rede"
> A palavra foi escolhida com intenção. Uma rede não tem um único centro que controla tudo; é feita de nós ligados entre si. Os Estatutos de 2018 recorrem à imagem evangélica do "lançar a rede" (Lc 5,4; Jo 21,6), que consideram "profundamente atual no contexto global do novo milênio" [21]. Ao mesmo tempo, a rede tem um ponto de referência claro: as intenções de oração do Papa.

## 2016: um diretor internacional e uma carta aos bispos

Em 2016, o Papa Francisco nomeou o Pe. Frédéric Fornos Diretor Internacional da sua Rede Mundial de Oração [11, 30]. Na carta aos bispos de 7 de julho de 2016, o Papa pediu "uma atualização dos Estatutos tendo em conta o processo de recriação em curso" [21]. Os Estatutos que daí resultaram mudam o desenho de 1968: o responsável máximo já não é, por direito, o Superior Geral dos jesuítas, mas um Diretor Internacional nomeado pelo Papa por proposta do Superior Geral [1, 21].

## Novas linguagens: *O Vídeo do Papa* e *Click To Pray*

Uma das marcas da Recriação foi a entrada decidida no mundo digital.

**O Vídeo do Papa.** Em janeiro de 2016 foi lançado o primeiro vídeo mensal com a intenção de oração do Papa. Filmado pelo Centro Televisivo Vaticano, com o Papa falando em espanhol e legendas em várias línguas, o primeiro vídeo tratou do diálogo inter-religioso e mostrava representantes do budismo, do judaísmo, do islã e do cristianismo [14]. A iniciativa continuou todos os meses; em 2024, segundo a Companhia de Jesus, *O Vídeo do Papa* alcançava mais de 22 milhões de pessoas, com tradução oficial em 23 línguas e adaptação em pelo menos mais 20 [11].

**Click To Pray.** A plataforma nasceu em Portugal: o Apostolado da Oração português lançou-a em novembro de 2014 para ajudar os jovens a rezar com o Papa, e registrou mais de 80 mil usuários antes da expansão internacional [13]. Em março de 2016, durante o Jubileu da Misericórdia, a Rede lançou a versão internacional, com lembretes para rezar pela manhã, ao meio-dia e à noite, as intenções do Papa e a possibilidade de partilhar pedidos de oração [13]. Em 20 de janeiro de 2019, no Angelus, o próprio Papa Francisco apresentou o seu perfil pessoal no aplicativo, que foi a plataforma oficial de oração da Jornada Mundial da Juventude do Panamá [12]. O aplicativo organiza-se em três seções — "Reza com o Papa", "Reza cada dia" e "Reza com a Rede" — e estava então disponível em seis línguas [12].

## 27 de março de 2018: Obra Pontifícia

Depois de vários meses de trabalho com a Secretaria de Estado, a Companhia de Jesus entregou uma versão final dos novos Estatutos em 14 de março de 2018 [21]. Em carta de 10 de abril de 2018, o então Substituto da Secretaria de Estado, Dom Angelo Becciu, comunicou: "O Santo Padre, em 27 de março 2018, constituiu a Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração) como Obra Pontifícia, com sede oficial no Estado da Cidade do Vaticano e aprovou os novos Estatutos" [21]. A data coincide, cinquenta anos depois, com a aprovação dos Estatutos de 1968 [1, 21].

## Os Estatutos de 2018

Os Estatutos de 2018 definem a Rede como "um serviço eclesial da Santa Sé que o Sumo Pontífice confia ao cuidado da Companhia de Jesus", aberto a todos os católicos que desejem "despertar, renovar e viver o caráter missionário que procede de seu batismo" [21]. O braço jovem, o Movimento Eucarístico Jovem, faz parte da Rede [21].

O itinerário espiritual integra duas dimensões: **a compaixão pelo mundo**, alimentada pelas intenções do Papa, que permitem "sair da globalização da indiferença"; e **a comunhão com a missão do Filho**, chamada "caminho do coração", estruturada em nove passos [21]. O capítulo 9 trata dessa espiritualidade em detalhe.

Os Estatutos propõem duas **modalidades de participação** [21]:

- **Aberta:** qualquer batizado inclui na sua oração diária as intenções do Papa; pede-se de modo especial que, na primeira sexta-feira de cada mês, "Dia mensal de oração pelas intenções do Papa", se una à Rede.
- **De pertença e compromisso:** implica um vínculo com a Sede Nacional e três momentos diários de oração (manhã, com o oferecimento; durante o dia; à noite). Pode ser vivida pessoalmente, em grupo — paróquias, comunidades da Rede, os tradicionais grupos do Apostolado da Oração — ou pela **consagração pessoal**, a "aliança" com Jesus, que faz dos que a professam "apóstolos da oração".

O **governo** passa a ter um Conselho Geral, um Diretor Internacional — sempre que possível um jesuíta nomeado pelo Papa, por proposta do Superior Geral — e Diretores Nacionais ou Regionais nomeados pelo Diretor Internacional com aprovação da Conferência Episcopal [21]. Os Estatutos terminam confiando a Rede aos seus padroeiros, São Francisco Xavier e Santa Teresa de Lisieux [21].

## 2019: 175 anos

A Recriação foi celebrada no 175º aniversário da fundação. Em 28 de junho de 2019, o Papa Francisco recebeu na Sala Paulo VI cerca de 6 mil membros da Rede, reunidos para celebrar os 175 anos [8, 41], além de milhares que acompanhavam pela internet [30]. No discurso, disse que "o coração da missão da Igreja é a oração", lembrou que a oração derruba barreiras e ultrapassa fronteiras, falou do *Click To Pray* e pediu que se ensinassem as crianças a rezar [8]. Descreveu a missão da Rede como um "caminho do coração" e convidou a entrar na "revolução da ternura" do Coração de Jesus [8].

Dez anos depois de iniciada, a Recriação tinha dado ao antigo Apostolado um novo nome, uma nova espiritualidade, novos instrumentos e um novo estatuto jurídico. Faltava ainda um passo: a forma de Fundação Vaticana.

> [!Em síntese]
> - A Recriação começou em 2009 ou 2010 (as fontes divergem), por iniciativa do Pe. Adolfo Nicolás; o documento *Um caminho com Jesus em disponibilidade apostólica* (3 de dezembro de 2014) recebeu a aprovação do Papa Francisco.
> - O Apostolado passou a chamar-se Rede Mundial de Oração do Papa; o Pe. Frédéric Fornos foi Diretor Internacional a partir de 2016.
> - *O Vídeo do Papa* (desde janeiro de 2016) e *Click To Pray* (nascido em Portugal em 2014; internacional desde 2016) renovaram a comunicação das intenções.
> - Em 27 de março de 2018, o Papa constituiu a Rede como Obra Pontifícia e aprovou novos Estatutos.

> [!Para refletir]
> - O que um grupo tradicional do Apostolado da Oração pode aprender da ideia de "rede"? E o que a tradição pode ensinar às formas digitais?
> - Você já rezou com *O Vídeo do Papa* ou com o *Click To Pray*? Como isso mudou a sua forma de rezar pelas intenções?

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# 8. Fundação Vaticana: a Rede hoje

> "Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto." (Mt 7,7)

A elevação a Obra Pontifícia em 2018 deu à Rede Mundial de Oração do Papa um novo lugar na Igreja. Faltava ainda uma forma jurídica que lhe permitisse funcionar com estabilidade no próprio Vaticano, administrar bens e coordenar uma presença em quase uma centena de países. Essa forma veio em 2020, com a constituição da Rede como Fundação Vaticana, e foi completada pelos Estatutos de 2024 e pelo Regulamento Geral de 2026.

## O quirógrafo de 17 de novembro de 2020

Em 17 de novembro de 2020, o Papa Francisco assinou um quirógrafo — documento papal manuscrito com força de lei — que constituiu a Rede Mundial de Oração do Papa como pessoa jurídica canônica e vaticana, com sede no Estado da Cidade do Vaticano [4]. O texto recorda que a obra nasceu na França, por iniciativa do Pe. François-Xavier Gautrelet, SJ, com o nome de Apostolado da Oração, que se fundamenta na espiritualidade do Coração de Jesus e que difunde as intenções mensais de oração do Papa [4].

O Papa explica a razão do passo: era preciso coordenar e animar "este movimento espiritual", que lhe era "tão caro", dando-lhe "uma estrutura adequada aos tempos" [4]. E lembra que já tinha instituído a Rede como obra pontifícia para sublinhar o caráter universal desse apostolado [4]. Os Estatutos anexos entraram em vigor em 17 de dezembro de 2020 [4]. O Arquivo Romano da Companhia de Jesus registra o mesmo marco: em dezembro de 2020 a Rede foi constituída como obra pontifícia e Fundação Vaticana [7].

## Os Estatutos de 2024

Os Estatutos de 2020 foram substituídos por um novo texto, que entrou em vigor em 1º de julho de 2024 [5]. Ele define a Rede como Fundação Vaticana com personalidade jurídica canônica e civil, sediada no Estado da Cidade do Vaticano, e como "Obra Pontifícia ao serviço eclesial da Santa Sé", confiada à Companhia de Jesus [5]. A missão continua a mesma: coordenar a oração em todo o mundo e promover as intenções mensais do Papa, "aberta a todos os católicos que desejem despertar, renovar e viver o caráter missionário que procede do seu batismo" [5].

Os pontos principais do texto são:

- **Espiritualidade:** o "Caminho do Coração", descrito como um processo espiritual pedagogicamente estruturado para identificar-se com o pensamento, a vontade e os projetos de Jesus [5].
- **Juventude:** o Movimento Eucarístico Jovem é "a proposta da Rede para os jovens" [5].
- **Dependência:** a Fundação está diretamente sujeita ao Papa, por meio da Secretaria de Estado, reconhecendo a histórica confiança da obra à Companhia de Jesus [5].
- **Governo:** um Conselho de Administração de cinco membros, presidido pelo Diretor Internacional — de preferência um jesuíta, nomeado pelo Papa por mandatos renováveis de cinco anos —, dois vice-diretores e um auditor nomeado pela Secretaria para a Economia [5]. O Diretor Internacional nomeia os diretores nacionais ou regionais, com aprovação da Conferência Episcopal [5].
- **Autonomia nacional:** as estruturas nacionais funcionam segundo o direito de cada país, e a Fundação Vaticana não tem poder sobre os seus bens e orçamentos [5].
- **Patrimônio inicial:** 150 mil euros e 280 mil dólares, que podem crescer por doações, legados e direitos [5].

## Uma nova direção internacional

Depois de quase nove anos, o Pe. Frédéric Fornos deixou a direção internacional no fim de 2024. Sob a sua liderança, segundo a Companhia de Jesus, *O Vídeo do Papa* passou a alcançar mais de 22 milhões de pessoas e o *Click To Pray* a operar em sete línguas [11]. Em 1º de janeiro de 2025 assumiu o Pe. Cristóbal Fones, SJ, jesuíta chileno, nomeado pelo Papa por proposta do Superior Geral, Pe. Arturo Sosa, para um mandato de cinco anos [10, 11]. Ao seu lado estão dois vice-diretores, Bettina Raed e o Pe. Miguel Pedro Melo, SJ [11].

Em 23 de janeiro de 2025, Francisco recebeu a Fundação, acolheu o novo diretor e agradeceu ao Pe. Fornos, que chamou de "criativo" [9]. No discurso, apresentou o "Caminho do Coração" como um duplo percurso — o da encarnação, paixão e ressurreição de Cristo, e o da transformação dos corações humanos feridos pelo pecado — e insistiu que "oração e compaixão, oração e proximidade aos últimos, oração e obras de misericórdia estão inseparavelmente unidas" [9]. Recomendou ainda aos membros que encontrassem "alimento substancial" na encíclica *Dilexit nos*, publicada meses antes, e sublinhou o papel da Rede no Ano Jubilar [9].

## Leão XIV e a sua Rede de oração

O Papa Francisco já tinha discernido as intenções de oração para todo o ano de 2025. Após a sua morte e a eleição de Leão XIV, o novo Papa adotou formalmente essas intenções como suas [10] — um gesto simples que mostra como a Rede está ligada ao ministério de Pedro, e não à pessoa de um Papa em particular.

Em 30 de janeiro de 2026, Leão XIV recebeu os dirigentes e membros da Rede: o Diretor Internacional, os vice-diretores, o escritório internacional, os coordenadores continentais, o conselho de administração e os "embaixadores" da Fundação [23]. Agradeceu por difundirem as intenções a "dezenas de milhões de pessoas" que, cada dia, apresentam essas necessidades a Deus [23]. Sobre o sentido da oração de intercessão, afirmou que ela "não é externa à obra evangélica do Corpo de Cristo, mas parte integrante dela" [23]. Recordou que a espiritualidade da Rede "está enraizada no Coração de Jesus", referiu-se ao itinerário do "Caminho do Coração" e pediu atenção especial aos jovens, para que formem "a próxima geração" de intercessores, apontando o Movimento Eucarístico Jovem como caminho particularmente fecundo [23].

## O Regulamento Geral de 2026

Em 19 de março de 2026, solenidade de São José, foi promulgado o novo Regulamento Geral da Rede, previsto pelos Estatutos de 2024 [22, 24]. O texto organiza-se em quatro partes: identidade e natureza como Fundação Vaticana; estrutura internacional, nacional, diocesana e comunitária; modos de participação; e salvaguarda e proteção de menores e pessoas vulneráveis [24]. Confirma as duas modalidades de participação — uma aberta, centrada na jornada mensal de oração pela intenção do Papa na primeira sexta-feira, e outra de pertença explícita, com oração diária e consagração ao Coração de Jesus — e mantém o "Caminho do Coração" como referência pedagógica [24]. O Regulamento tem validade inicial de dois anos, com revisão prevista para 2028 [24].

## A Rede em números

Quantas pessoas fazem parte da Rede Mundial de Oração do Papa? As fontes oficiais mais recentes convergem: cerca de **22 milhões de membros** em **mais de 90 países** [3, 22, 24]. O Arquivo Romano da Companhia fala em 92 países [7]; a Wikipédia em inglês, em 89 [30]. O Movimento Eucarístico Jovem está presente em mais de 50 países [22].

> [!Nota] Por que os números variam
> Fontes nacionais citam números bem diferentes: uma reportagem brasileira de 2021 fala em 98 países e cerca de 36 milhões de membros [26]; a página da Rede em Portugal, em cerca de 50 milhões de membros em 86 países [27]. A diferença vem provavelmente do critério de contagem — membros inscritos, participantes da modalidade aberta, assinantes de revistas, usuários de aplicativos. Este livro adota o número de 22 milhões, usado pela Santa Sé, pela sede internacional e pela Companhia de Jesus [3, 22, 24].

A sede operacional da Rede fica em Roma, no Borgo Santo Spirito, 4, junto ao Vaticano [3, 22].

## Do Vals ao Vaticano

Olhando para trás, o percurso é impressionante: de uma exortação a jovens jesuítas numa casa de formação da França rural a uma Fundação Vaticana, presidida por um diretor nomeado pelo Papa. Mas a essência não mudou. Como disse Leão XIV, trata-se de apresentar a Deus, todos os dias, as necessidades do mundo e da Igreja [23]. O próximo capítulo examina essa essência: a espiritualidade da Rede.

> [!Em síntese]
> - Pelo quirógrafo de 17 de novembro de 2020, a Rede tornou-se Fundação Vaticana, com sede no Vaticano; os Estatutos atuais vigoram desde 1º de julho de 2024.
> - A Fundação depende diretamente do Papa, via Secretaria de Estado, e continua confiada à Companhia de Jesus.
> - O Pe. Cristóbal Fones, SJ, é Diretor Internacional desde 1º de janeiro de 2025, sucedendo ao Pe. Frédéric Fornos.
> - Leão XIV adotou as intenções de 2025 e recebeu a Rede em 30 de janeiro de 2026; o Regulamento Geral foi promulgado em 19 de março de 2026.
> - A Rede conta cerca de 22 milhões de membros em mais de 90 países.

> [!Para refletir]
> - Por que é significativo que as intenções de oração continuem de um Papa para o outro?
> - Leão XIV disse que a oração de intercessão é "parte integrante" da evangelização. Como isso se vê na sua comunidade?

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# 9. Espiritualidade: oferecimento, intenções, Caminho do Coração

> "Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus." (Fl 2,5)

Os capítulos anteriores contaram a história de uma instituição. Mas o Apostolado da Oração sempre foi, antes de tudo, uma forma de viver o Evangelho. Este capítulo reúne os elementos dessa espiritualidade como aparecem nas fontes oficiais, dos Estatutos de 1968 aos de 2024: o oferecimento diário, a oração pelas intenções do Papa, o Coração de Jesus, a Eucaristia, Maria e o itinerário do "Caminho do Coração".

## Disponibilidade: a palavra-chave

A Sede Nacional brasileira resume o Apostolado numa frase que acompanha os Estatutos de 2018: ele é, "antes de tudo, fazermo-nos interiormente disponíveis para a missão de Cristo" [21]. Essa disponibilidade tem como fonte e modelo o próprio Cristo, "entregue a nós e por nós", presente na Eucaristia; e receber a sua vida leva a oferecer diariamente a própria vida ao Pai [21].

O documento da Recriação tem, aliás, essa palavra no título: *Um caminho com Jesus em disponibilidade apostólica* [21]. O oferecimento não é uma fórmula a recitar, mas uma atitude — colocar-se à disposição de Deus para aquilo que Ele quiser realizar através do dia que começa.

## O oferecimento diário

O gesto mais característico do Apostolado, desde Vals, é o oferecimento da manhã. A *Catholic Encyclopedia* descreve-o como a oferta diária das orações, obras e sofrimentos [6]; os Estatutos de 1968, como o ato pelo qual cada um oferece a si próprio a Deus, por Cristo — orações, trabalhos, sofrimentos e alegrias —, pelas necessidades da Igreja e pela salvação do mundo inteiro [1].

A raiz teológica é o sacerdócio comum dos batizados. Pelo Batismo, todo cristão participa do sacerdócio de Cristo e pode oferecer "hóstias espirituais" (1Pd 2,5), unindo-as à oblação do corpo do Senhor na Eucaristia, como ensina *Lumen Gentium* 34 [1]. Os Estatutos de 1968 acrescentam que essa oblação é também exercício do múnus profético: quem oferece a vida compromete-se a viver de acordo com ela e, assim, dá testemunho de Cristo [1].

> [!Oração] Elementos do oferecimento diário
> As fórmulas variam de país para país e mudaram ao longo do tempo, mas costumam conter os mesmos elementos, que já se encontram nos Estatutos:
> - dirigir-se ao Pai, por Cristo, no Espírito;
> - oferecer o dia inteiro: orações, trabalhos, alegrias e sofrimentos;
> - unir essa oferta ao sacrifício de Cristo que se renova na Eucaristia;
> - fazê-lo com Maria;
> - rezar pelas intenções que o Papa confia à Igreja naquele mês.

## As intenções do Papa

Desde Leão XIII, o Papa confia ao Apostolado as suas intenções de oração [10]. Os Estatutos de 1968 veem nisso a expressão do "sentir com a Igreja": os membros oferecem o seu dia pelas intenções que o Papa propõe cada mês e, "nos casos urgentes", recomenda à oração dos fiéis, e incluem também as intenções dos bispos locais [1].

Os Estatutos de 2018 aprofundam o sentido: acolher e rezar por essas intenções "abre o olhar e o coração às necessidades do mundo", faz assumir as alegrias e dores da humanidade e inspira obras de misericórdia; é um caminho para sair da "globalização da indiferença" e abrir-se à compaixão pelo mundo [21]. O Papa confia à Rede a missão de "divulgar, promover e estimular" a oração por essas intenções, para que os membros orientem por elas a sua oração e a sua ação durante todo o mês [21].

Como são escolhidas? Leão XIV explicou em 2026 que, cada mês, "depois de cuidadoso discernimento", ele e os seus predecessores partilham intenções que tocam os desafios da humanidade e a vida e missão da Igreja [23]. Durante boa parte do século XX havia duas intenções mensais — geral e missionária [15]; com Francisco, a Rede passou a difundir uma única intenção por mês [3, 14].

> [!Nota] A primeira sexta-feira
> A antiga prática da comunhão reparadora na primeira sexta-feira do mês, ligada a Paray-le-Monial [18], ganhou na Recriação um novo sentido: os Estatutos de 2018 fazem desse dia o "Dia mensal de oração pelas intenções do Papa", no qual pessoas, paróquias e grupos são convidados a unir-se de modo especial à Rede [21]. O Regulamento Geral de 2026 conserva essa jornada mensal [24].

## O Coração de Jesus

Todos os textos oficiais dizem que o fundamento da Rede é a espiritualidade do Coração de Jesus [4, 21]. Os Estatutos de 1968 falam em consagração pessoal, reparação pelos pecados próprios e do mundo, práticas aprovadas pela Igreja e, sobretudo, imitação do amor de Cristo aos irmãos [1]. Os de 2018 preferem a linguagem da identificação: cada discípulo, graças à oração e ao Espírito Santo, torna possível que no seu coração "se recriem os sentimentos do Coração de Cristo" [21].

A encíclica *Dilexit nos* (2024), que Francisco recomendou expressamente à Rede [9], retoma essa tradição com os testemunhos de Santa Margarida Maria, São Cláudio de La Colombière, São Carlos de Foucauld e Santa Teresa do Menino Jesus [19] — esta última, padroeira da Rede ao lado de São Francisco Xavier [21].

## A Eucaristia

A Eucaristia é o centro do programa de 1968, que queria fazer da Missa "o centro e o fundamento" da vida dos associados [1]. Os Estatutos de 2018 conservam a mesma lógica ao apresentar a Eucaristia como "modelo de oferecimento e disponibilidade para viver ao estilo de Jesus" [21], e o braço jovem da Rede tem a Eucaristia no próprio nome. O oferecimento da manhã une-se, assim, ao sacrifício eucarístico: a vida do cristão, oferecida ao longo do dia, junta-se à oblação de Cristo que a Igreja celebra no altar, como ensina *Lumen Gentium* 34 [43].

## Maria

Maria acompanha o Apostolado desde a origem. Os Estatutos de 1968 pedem que os membros façam o oferecimento por meio dela e rezem cada dia o terço, "ou pelo menos um mistério" [1]. Os de 2018 dizem que a oração e a disponibilidade apostólica "estão sempre ligadas a Maria, a Rainha dos Apóstolos" [21]. Francisco, em 2025, apresentou Maria como aquela que "nos precede na peregrinação da fé e da esperança" e ensina a guardar no coração as palavras e os gestos de Jesus [9].

## O Caminho do Coração

A grande novidade pedagógica da Recriação é o itinerário chamado "Caminho do Coração". Os Estatutos de 2024 descrevem-no como "um processo espiritual pedagogicamente estruturado para identificar-se com o pensamento, a vontade e os projetos de Jesus" [5]; os de 2018 dizem que ele se desenvolve "em nove passos" e que é "uma escola do coração" [21]. A Companhia de Jesus liga esses nove passos à tradição das primeiras sextas-feiras [22].

Em língua portuguesa, os nove passos costumam ser apresentados assim (os títulos variam ligeiramente entre edições; o material oficial da Rede intitula o sétimo passo "Damos a vida juntamente com Ele" [37]):

1. No princípio está o amor.
2. O coração humano, inquieto e necessitado.
3. Num mundo sem coração.
4. O Pai envia o seu Filho para salvar.
5. Chama-nos seus amigos.
6. Habitados por Cristo.
7. Damos a vida juntamente com Ele.
8. Uma missão de compaixão.
9. Uma rede mundial de oração e serviço atenta às necessidades da humanidade.

Quem conhece os Exercícios Espirituais de Santo Inácio reconhece neles a mesma lógica: parte do amor de Deus, passa pelo reconhecimento da fragilidade humana e do mal no mundo, contempla a missão do Filho, conduz à amizade e à identificação com Cristo e desemboca na missão. É esse o "duplo percurso" de que falou Francisco em 2025 — o de Cristo, da encarnação à ressurreição, e o do coração humano que se deixa transformar [9].

## Três momentos de oração por dia

Para quem escolhe a modalidade de pertença e compromisso, os Estatutos de 2018 propõem um ritmo simples: três momentos de oração ao Senhor Jesus — pela manhã, com o oferecimento; durante o dia; e à noite —, podendo um deles ser a celebração eucarística [21]. O essencial, diz o texto, é "consolidar a amizade íntima com o Senhor" e descobrir o modo próprio de colaborar com a missão da Igreja diante dos desafios apresentados pelas intenções do Papa [21]. O mesmo ritmo aparece no *Click To Pray* [12, 13] e no Movimento Eucarístico Jovem [15].

## Oração e compaixão

Uma última característica atravessa toda a espiritualidade renovada: a oração não se separa da ação. Os Estatutos de 1968 já pediam que o testemunho de vida, a caridade e o trabalho confirmassem o oferecimento [1]; os de 2018 falam de "obras de misericórdia espirituais e corporais" [21]; Francisco, em 2025, disse que oração, compaixão e obras de misericórdia estão "inseparavelmente unidas" [9]; e Leão XIV, em 2026, lembrou que a oração de intercessão é "parte integrante" da obra evangelizadora [23].

> [!Em síntese]
> - A palavra-chave da espiritualidade do Apostolado é *disponibilidade* para a missão de Cristo.
> - O oferecimento diário une a vida inteira ao sacrifício eucarístico, em exercício do sacerdócio batismal (*Lumen Gentium* 34).
> - As intenções mensais do Papa abrem a oração às necessidades do mundo e da Igreja; a primeira sexta-feira é o dia mensal de oração por elas.
> - O Caminho do Coração é um itinerário de nove passos para identificar-se com os sentimentos de Cristo.
> - Oração e compaixão, oração e obras de misericórdia, são inseparáveis.

> [!Para refletir]
> - Qual dos nove passos do Caminho do Coração corresponde melhor ao momento que você vive agora?
> - Como transformar a intenção do Papa deste mês num gesto concreto de compaixão?

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# 10. O Movimento Eucarístico Jovem

> "Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho?" (Lc 24,32)

Desde o século XIX, o Apostolado da Oração quis envolver as crianças e os jovens na sua missão de oração. Esse desejo deu origem, em 1915, à Cruzada Eucarística e, a partir de 1962, ao Movimento Eucarístico Jovem (MEJ) [5, 36], que os Estatutos de 2018 chamam de "braço jovem" da Rede Mundial de Oração do Papa e os de 2024 definem como "a proposta da Rede para os jovens" [5, 21].

## Das crianças do Apostolado à Cruzada

A página oficial do MEJ na sede internacional conta que a participação dos mais novos começou cedo: um padre francês (o "Padre Cross", no texto da página) propôs envolver as crianças na missão de oração, e já em 1881 um primeiro congresso internacional contava 100 mil membros [36]. Três acontecimentos, porém, prepararam o nascimento do movimento propriamente dito [36]:

- **1910:** pelo decreto *Quam singulari*, o Papa São Pio X abriu a primeira comunhão às crianças a partir da idade da razão [45].
- **1914:** o Congresso Eucarístico Internacional de Lourdes desejou "uma grande liga eucarística dos pequeninos".
- **1915:** em plena guerra, nasceu o movimento que se tornaria a "Cruzada Eucarística".

A fundação é associada a Bordéus, no sudoeste da França. Segundo o estudo do historiador Ludovic Laloux, publicado pelas Presses universitaires du Septentrion, tudo começou numa escola católica feminina, o cours Saint-Seurin, onde a religiosa Geneviève Boselli organizara com as alunas um apoio espiritual e material aos soldados; em 13 de novembro de 1915, o jesuíta Albert Bessières foi à escola e dali nasceu a "Cruzada das crianças" [38]. O regulamento foi aprovado em 20 de abril de 1916; no outono daquele ano o movimento já tinha cerca de 70 mil membros; em 1918 chamou-se "Cruzada eucarística das crianças" e, em 1922, simplesmente "Cruzada Eucarística" [38]. Os Jesuítas do Brasil situam o início no Colégio dos jesuítas de Tívoli, também em Bordéus [34].

> [!Nota] 1914 ou 1915?
> Um documento apresentado em 2012 pelo Pe. Claudio Barriga, SJ, ao Pontifício Conselho para os Leigos diz que a Cruzada foi "fundada em 1914" [15], ano do Congresso de Lourdes; a sede internacional e os jesuítas brasileiros falam em 1915 [34, 36]. Os Estatutos atuais da Rede adotam o ano de 1915 [5], e por isso o centenário do MEJ foi celebrado por volta dos 170 anos do Apostolado da Oração [1, 34].

## De "Cruzada" a "Movimento"

No pontificado de São João XXIII, e com o seu incentivo, a Cruzada passou a chamar-se Movimento Eucarístico Jovem: o novo nome foi oficialmente adotado na França em 1962, junto com uma profunda renovação pedagógica [15, 34, 36].

## Pedagogia: o caminho de Emaús

O MEJ baseia-se na "pedagogia dos discípulos de Emaús", que integra três elementos — **Evangelho, Eucaristia e Missão** — na espiritualidade do Coração de Jesus [36]. Como os discípulos de Emaús, os jovens caminham, escutam a Palavra, reconhecem o Senhor ao partir do pão e voltam em missão.

O testemunho do Pe. Barriga descreve os traços concretos do método [15]:

- **equipes** de dez a doze membros da mesma faixa etária, acompanhadas por um jovem animador, que se reúnem semanalmente para partilhar a vida à luz da Palavra de Deus;
- **três momentos de oração por dia** — de manhã, durante o dia e à noite —, o mesmo ritmo proposto aos adultos da Rede;
- um **caderno pessoal**, instrumento de discernimento;
- encontros nacionais, acampamentos de verão e avaliação;
- uma **Eucaristia vivida como programa de vida**, e não só como Missa dominical: receber cada dia a vida como dom e oferecê-la de volta ao Senhor;
- raízes **inacianas**: procurar e encontrar Deus em todas as coisas.

Segundo o mesmo documento, o MEJ funciona a partir das estruturas da Igreja local, em paróquias e escolas, e é especialmente adequado a comunidades com poucos recursos, porque oferece programas claros, etapas de crescimento, cantos, símbolos e cores [15]. O Caminho do Coração, itinerário formativo comum da Rede, é adaptado às diferentes idades [36].

## Um movimento mundial

O MEJ é hoje um movimento internacional. Em 2012, o Pe. Barriga falava em mais de um milhão de crianças e jovens de 5 a 25 anos em 50 países [15]; a página atual da sede internacional fala em mais de um milhão de membros em 60 países dos cinco continentes e apresenta o MEJ como o segundo maior movimento juvenil católico do mundo [36]; a Companhia de Jesus, em 2026, menciona presença em mais de 50 países [22].

A lista de nomes nacionais dá uma ideia da diversidade [15]:

| País | Nome local |
|---|---|
| França | Mouvement Eucharistique des Jeunes |
| Países de língua espanhola | Movimiento Eucarístico Juvenil |
| Brasil | Movimento Eucarístico Jovem |
| Vietnã | Thiếu nhi Thánh Thể |
| Índia | Krus Vir – Soldiers of God |
| Burundi | Ingendanyi z'Ukaritsiya |

O mesmo documento reúne testemunhos de jovens da Etiópia e do Egito, que falam de uma paróquia rural transformada pela chegada do grupo, de jovens que deixaram maus hábitos, aprenderam a rezar e começaram a visitar doentes [15]. Em 2012, o MEJ preparava o seu primeiro Congresso Mundial, marcado para setembro daquele ano na Argentina [15].

## O MEJ no Brasil

No Brasil, o primeiro grupo da Cruzada Eucarística foi fundado em Itu (SP), berço do Apostolado da Oração no país [34]. Em 2017, os Jesuítas do Brasil contavam cerca de 12 mil jovens em centenas de grupos, e destacavam como eixos do movimento a formação de comunidades, a consciência eclesial, a oração, a Eucaristia no dia a dia, a Palavra de Deus e o discernimento [34]. Uma reportagem de 2021 falava em 10 mil membros em 19 estados [26]. Os dois ramos — AO e MEJ — têm no Brasil uma Sede Nacional comum, em São Paulo [1, 21].

## Os jovens, "próxima geração de intercessores"

Os Papas recentes olharam para o MEJ com particular esperança. Em 2019, Francisco pediu que se ensinassem as crianças a rezar, porque elas "chegam imediatamente ao Coração de Jesus", e evocou o trabalho de uma religiosa com os jovens do MEJ [8]. Em 2026, Leão XIV disse ser "especialmente importante convidar os jovens a participar", para que formem a próxima geração de intercessores pelas necessidades do mundo, e apontou o Movimento Eucarístico Jovem como caminho "particularmente fecundo" para crescerem na intimidade com o Senhor [23].

> [!Em síntese]
> - O MEJ nasceu em 1915 em Bordéus, com o Pe. Albert Bessières, SJ, e Geneviève Boselli, como "Cruzada das crianças" (Cruzada Eucarística a partir de 1922), depois do decreto *Quam singulari* (1910) e do Congresso de Lourdes (1914).
> - Recebeu o nome atual em 1962, com uma profunda renovação pedagógica.
> - Sua pedagogia é a de Emaús: Evangelho, Eucaristia e Missão, com equipes pequenas e três momentos diários de oração.
> - Reúne mais de um milhão de crianças e jovens em 50 a 60 países; no Brasil, o primeiro grupo surgiu em Itu.

> [!Para refletir]
> - O que os adultos do Apostolado da Oração podem fazer para que haja um grupo do MEJ na sua paróquia?
> - Por que a pedagogia de Emaús — caminhar, escutar, partir o pão, voltar em missão — funciona tão bem com jovens?

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# 11. O Apostolado da Oração no Brasil

> "Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo." (Mt 5,13-14)

O Brasil ocupa um lugar especial na história do Apostolado da Oração. Poucos países receberam a obra tão cedo, poucos a organizaram tão amplamente e em poucos ela teve tanta influência na vida da Igreja local. O livreto que deu origem a este livro é, ele mesmo, fruto dessa história [1].

## Recife, 1867: o primeiro centro

O primeiro centro do Apostolado da Oração no Brasil foi fundado em 30 de junho de 1867, no Recife, na igreja de Santa Cruz, então confiada aos jesuítas, que tinham chegado a Pernambuco em 1865 [1]. Seu fundador e primeiro diretor foi o Pe. Bento Schembri, SJ [1]. O livreto observa, porém, que foi "um centro local e isolado" [1]: a obra ainda não tinha uma estrutura capaz de se difundir pelo país.

## Itu, 1871: o Pe. Bartolomeu Taddei

A verdadeira implantação nacional começou em Itu, no interior de São Paulo, em 1º de outubro de 1871, quando o Pe. Bartolomeu Taddei, missionário jesuíta italiano, fundou um centro do Apostolado na Igreja do Bom Jesus [42] e, em seguida, outros centros em nível diocesano e nacional [1, 25]. Por isso ele é considerado o fundador e propagador do Apostolado da Oração no Brasil [1]. Nomeado Diretor Nacional, levou a obra a todos os estados [1].

Taddei nasceu na Itália em 1837 — em San Vincenzo Valle Roveto, a 7 de novembro, segundo a Wikipédia em português [35] — e morreu em Itu, na Igreja do Bom Jesus, em 1913, sendo sepultado no santuário anexo [46]; a data de 3 de junho de 1913 é dada pelo livreto [1]. Fez parte do grupo de jesuítas que fundou o Colégio São Luís, em Itu, é lembrado como pioneiro da imprensa católica no Brasil [46] e dedicou quase meio século às missões populares, de norte a sul do país [35].

> [!Nota] A chegada de Taddei ao Brasil
> O livreto brasileiro diz que, em 1871, Taddei era um missionário "recém-chegado da Itália" [1]; o verbete da Wikipédia em português afirma que ele chegou ao Brasil em 1865 e trabalhou 48 anos em missões populares [35]. As fontes consultadas não permitem resolver a divergência; ambas concordam, porém, que a fundação de Itu, em 1871, é o marco do Apostolado no país.

Segundo o livreto, o Cardeal Dom Sebastião Leme chegou a afirmar que "o renascimento espiritual do Brasil é obra do AO" [1].

## O *Mensageiro* brasileiro e os Congressos Católicos

Em 1º de junho de 1896, Taddei lançou o primeiro número do *Mensageiro do Coração de Jesus* no Brasil, como revista de formação cristã e órgão oficial do Apostolado [1, 25]. A revista atravessaria mais de um século; o livreto registra que, sob o Pe. Roque Schneider, ultrapassou a marca de 100 mil assinantes [1].

Com o apoio do Apostolado, Taddei organizou também um grande congresso em Salvador, na Bahia, em 1900, completado por congressos em São Paulo e no Rio de Janeiro; esses encontros prepararam o caminho para a Ação Católica e a ação social da Igreja no país [1].

> [!Nota] Congresso Católico ou do Apostolado?
> O livreto brasileiro chama o encontro de 1900 de "Primeiro Congresso Católico Brasileiro" [1]; a Arquidiocese de Mariana chama-o de "Primeiro Congresso Brasileiro do Apostolado da Oração", realizado em Salvador "com a participação de uma multidão de apóstolos" [42].

## O Santuário do Coração de Jesus em Itu

Entre 1903 e 1904, com as doações dos associados do Apostolado da Oração, Taddei coordenou a construção do Santuário Nacional do Sagrado Coração de Jesus, anexo à igreja do Bom Jesus, em Itu [42]. Foi junto a esse santuário que ele morreu, em 3 de junho de 1913, deixando 1.390 centros do Apostolado em funcionamento por todo o Brasil [1, 25].

## A consagração das famílias e do país

O Apostolado da Oração intensificou em todo o país a vida eucarística e a devoção ao Coração de Jesus, sobretudo pela consagração das famílias, dos municípios, das cidades e dos estados [1]. Segundo o livreto, o ponto culminante foi a consagração oficial do Brasil ao Sagrado Coração de Jesus, por ocasião do 36º Congresso Eucarístico Internacional, celebrado no Rio de Janeiro em 1955 [1] — um exemplo das consagrações nacionais que Pio XII, no ano seguinte, atribuiria à ação do Apostolado [17].

## Os secretários e diretores nacionais

O livreto registra a sucessão dos responsáveis nacionais [1]:

| Período | Responsável nacional |
|---|---|
| 1871–1913 | Pe. Bartolomeu Taddei, SJ |
| 1913–1926 | Pe. Aloísio Yábar |
| 1926–1940 | Pe. Emmanuel Gabinio de Carvalho |
| 1941–1963 | Pe. José da Frota Gentil |
| 1964–1974 | Pe. José Tarcísio Camargo de Barros |
| 1977 | Pe. Maurilo Donato Sampaio |
| 1978–2006 | Pe. Roque Schneider |
| 2007–2014 | Pe. Otmar Jacob Schwengber |
| desde dez. 2014 | Pe. Eliomar Ribeiro de Souza, SJ |

Alguns nomes marcaram especialmente a obra. O Pe. Roque Schneider foi secretário nacional por quase trinta anos, visitou a maioria dos centros, animou a fundação de muitos outros e foi grande incentivador do Movimento Eucarístico Jovem [1]. O Pe. Otmar Jacob Schwengber criou a Sede Nacional do AO-MEJ em São Paulo e ajudou a promover a Recriação [1]. O Pe. Eliomar Ribeiro de Souza foi nomeado em dezembro de 2014 com a tarefa de implantar a Recriação da Rede Mundial de Oração do Papa, no ano em que se celebravam os 170 anos do Apostolado e, pouco depois, os 100 anos do MEJ [1]. Em 2021 ele continuava à frente da obra no país [25, 26].

## A Sede Nacional

A Sede Nacional do Apostolado da Oração e do Movimento Eucarístico Jovem fica no bairro do Ipiranga, em São Paulo, e é ela que publica a edição brasileira dos Estatutos da Rede Mundial de Oração do Papa [21]. Pelos Estatutos de 2018, é com a Sede Nacional que se estabelece o vínculo da modalidade de "pertença e compromisso", e é segundo as suas orientações que se faz a consagração pessoal dos "apóstolos da oração" [21].

## 150 anos (2021)

Em 1º de outubro de 2021, o Apostolado da Oração no Brasil celebrou 150 anos com uma Missa solene na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, em Itu, presidida pelo bispo de Jundiaí, Dom Vicente Costa [25]. Para a ocasião, o Papa Francisco enviou uma mensagem em que agradecia a todos os que assumem a Rede "pelo testemunho de rezar", lembrava que "o coração da missão da Igreja é a oração" e dizia que Deus conta com o entusiasmo e a perseverança de cada membro [25].

Os números sobre o Brasil variam muito. Uma reportagem publicada na ocasião pelo jornal *O São Paulo*, da Arquidiocese de São Paulo, estimava em cerca de 2 milhões os membros do Apostolado nas dioceses brasileiras [26]; a Arquidiocese de Mariana, citando "dados de 2013", falava em cerca de 10 milhões de membros inscritos, dos quais 3 milhões de zeladores e zeladoras [42]. Na mesma data, o bispo de Jundiaí anunciou a abertura do processo de beatificação do Pe. Taddei, segundo a Wikipédia em português [35].

## A Romaria a Aparecida

Uma das expressões mais visíveis do Apostolado no Brasil é a Romaria Nacional ao Santuário de Aparecida (SP). Todos os anos, milhares de "apóstolos e apóstolas do Coração de Jesus" renovam ali o desejo de ser "sal da terra e luz do mundo" e de manter acesa, no coração da Igreja, a chama da oração [1]. O livreto não hesita em afirmar que o Apostolado da Oração é hoje, no Brasil, um dos maiores movimentos espirituais em atividade na Igreja [1].

> [!Em síntese]
> - O primeiro centro brasileiro foi fundado no Recife em 30 de junho de 1867 pelo Pe. Bento Schembri, SJ.
> - O Pe. Bartolomeu Taddei (1837–1913) fundou o centro de Itu em 1º de outubro de 1871 e difundiu o Apostolado por todo o país.
> - Taddei lançou o *Mensageiro* brasileiro (1896), organizou o Primeiro Congresso Católico (Bahia, 1900) e construiu o Santuário do Coração de Jesus em Itu; ao morrer, deixou 1.390 centros.
> - O Brasil foi consagrado ao Sagrado Coração em 1955; a Sede Nacional do AO-MEJ fica em São Paulo.
> - Os 150 anos foram celebrados em Itu em 2021, com mensagem do Papa Francisco.

> [!Para refletir]
> - O que a trajetória do Pe. Taddei ensina sobre a relação entre oração e ação pública dos leigos?
> - Como o seu grupo pode transmitir às novas gerações a memória dos 150 anos do Apostolado no Brasil?

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# 12. Portugal e outros rostos nacionais da Rede

> "Virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus." (Lc 13,29)

A Rede Mundial de Oração do Papa é uma só, mas vive em dezenas de realidades nacionais, cada uma com a sua história, as suas revistas, os seus santuários e as suas formas de organização. Os Estatutos de 2024 reconhecem essa diversidade ao dizer que as estruturas nacionais funcionam segundo o direito de cada país, com gestão própria [5]. Este capítulo percorre alguns desses rostos, a começar por Portugal.

## Portugal

**Chegada e primeiros passos.** O Apostolado da Oração chegou a Portugal em 1864, trazido pelo jesuíta italiano António Marcocci [27]. O grande impulsionador foi, porém, o seu confrade Pe. Luís Prosperi, primeiro Diretor Nacional, dedicado às missões populares; em 1887 já havia no país mais de mil centros e cerca de 850 mil associados e zeladores [27]. O *Mensageiro do Coração de Jesus* português publica-se desde 1874 [40].

**Perseguição e reconstrução.** Em 1910, a Primeira República expulsou os jesuítas de Portugal, o que fragilizou o Apostolado, embora os jesuítas continuassem a publicar o *Mensageiro* a partir do exílio; só o regresso progressivo da Companhia, entre 1926 e 1932, permitiu normalizar a vida dos centros [27]. A obra resistiu: quando se realizou em Braga, em 1930, o primeiro Congresso Nacional do Apostolado da Oração, contavam-se mais de 1.610 centros e cerca de 1.015.000 associados [27].

**Braga e a Recriação.** O Secretariado Nacional tem sede em Braga e é confiado a um jesuíta; em 2006, a sua editora publicava, além de livros, o *Mensageiro*, com tiragem mensal de 9.500 exemplares [40]. Portugal foi um dos laboratórios da Recriação: a Rede portuguesa descreve o processo iniciado em 2009 em três frentes — fazer do Apostolado uma rede de oração, trabalhar com dioceses e paróquias e promover o Movimento Eucarístico Juvenil [27]. Foi também em Portugal que nasceu, em novembro de 2014, o *Click To Pray*, criado para ajudar os jovens a rezar com o Papa, com mais de 80 mil usuários antes de se tornar a plataforma internacional da Rede [13]. Hoje a página portuguesa fala em presença em todas as dioceses, mais de 3 mil centros e uma peregrinação nacional a Fátima que reuniu cerca de 100 mil pessoas [27].

## Espanha

O *Mensajero del Corazón de Jesús* nasceu em 1866 por iniciativa do cônego catalão José Morgades, como boletim mensal do Apostolado da Oração, e passou em 1883 para os jesuítas de Bilbao [31]. No auge, teve 100 mil assinantes na Espanha e na América, e em 2016 comemorou 150 anos sem interrupção, apesar da dissolução da Companhia em 1932 e da Guerra Civil [31]. Dele nasceu, em 1915, a Editorial Mensajero, uma das editoras católicas mais conhecidas do mundo hispânico [31].

## Irlanda

Na Irlanda, o *Messenger* fundado em 1888 pelo Pe. James Cullen, SJ, tornou-se um fenômeno editorial: de 9 mil exemplares no primeiro ano passou a 73 mil em 1904 e mantém hoje cerca de 120 mil exemplares por mês, com leitores em vários continentes [32]. Em 1907, a *Catholic Encyclopedia* registrava 2.000 centros do Apostolado no país [6].

## Estados Unidos e Canadá

Os Estados Unidos tiveram o seu *Messenger* desde 1866 [1]. Em 1907, o país contava 6.685 centros e cerca de 4 milhões de membros, o maior contingente do mundo anglófono [6]. Hoje o escritório norte-americano da Rede é uma das vozes mais ativas do movimento; foi uma das suas dirigentes, Grace Mazza Urbanski, quem escreveu na revista *America*, em 2025, que a Rede é "o maior grupo de oração organizado do mundo" [10]. No Canadá, a revista fundada em 1891 circulou em inglês e em francês até 2014 [33], e em 1907 havia 1.800 centros no país [6].

## América Latina

A Colômbia teve o seu *Mensajero* já em 1867 [1], e o *Mensajero* espanhol era lido em toda a América [31]. O atual Diretor Internacional da Rede, o Pe. Cristóbal Fones, é chileno [10, 11], e foi na Argentina que o Movimento Eucarístico Juvenil marcou, para setembro de 2012, o seu primeiro Congresso Mundial [15]. O Brasil, com o seu longo percurso, foi tratado no capítulo 11.

## África e Ásia

Os nomes locais do Movimento Eucarístico Jovem mostram quanto a Rede se enraizou fora da Europa: *Thiếu nhi Thánh Thể* no Vietnã, *Krus Vir – Soldiers of God* na Índia, *Ingendanyi z'Ukaritsiya* no Burundi [15]. O testemunho de 2012 do Pe. Claudio Barriga traz vozes de jovens da Etiópia e do Egito, que contam como a chegada do movimento transformou a sua paróquia [15]. Em 2019, Francisco mencionou a versão em chinês do *Click To Pray* como sinal de que a oração "ultrapassa fronteiras" [8]. E o Irish *Messenger* chega a leitores na África e no Extremo Oriente [32].

## Unidade na diversidade

Da Irlanda ao Vietnã, do Brasil ao Burundi, a Rede adapta-se às culturas sem perder a sua unidade. Os Estatutos de 2018 preveem que cada país tenha as suas regulamentações próprias, elaboradas pelos diretores nacionais e aprovadas pelo Diretor Internacional [21]; o Regulamento Geral de 2026 organiza a articulação entre os níveis internacional, nacional, diocesano e comunitário [24]. O que une tudo é o mesmo gesto: cada manhã, milhões de pessoas oferecem o seu dia a Deus e rezam pela mesma intenção, confiada pelo mesmo Papa.

## Conclusão: uma rede de corações

Ao fim deste percurso, vale a pena voltar a Vals. Em 1844, alguns jovens jesuítas descobriram que a sua vida, aparentemente escondida, já era útil à missão da Igreja [15]. Cento e oitenta anos depois, essa descoberta continua a ser oferecida a qualquer batizado: a avó que reza o terço na cozinha, o doente no hospital, o jovem do MEJ, o trabalhador que oferece o seu dia antes de sair de casa.

A história do Apostolado da Oração mostra uma notável capacidade de renovação. Ele mudou de estrutura (dos três graus de Ramière às modalidades de 2018), de linguagem (da "santa Liga" à "rede"), de meios (do *Mensageiro* impresso ao *Click To Pray* e a *O Vídeo do Papa*) e de forma jurídica (de associação piedosa a Fundação Vaticana). Mas manteve três fidelidades: ao Coração de Jesus, à Eucaristia e ao Papa.

Leão XIV resumiu essa missão numa frase: a oração de intercessão não é externa à obra evangelizadora, mas "parte integrante dela" [23]. O Apostolado da Oração existe para lembrar à Igreja essa verdade simples — e para fazê-la acontecer, todos os dias, no coração de milhões de pessoas.

> [!Em síntese]
> - Em Portugal, o Apostolado chegou em 1864 (Pe. António Marcocci), cresceu com o Pe. Luís Prosperi, teve o seu *Mensageiro* a partir de 1874 e sobreviveu à expulsão dos jesuítas em 1910; Braga é a sede nacional.
> - O *Click To Pray* nasceu em Portugal em 2014.
> - Espanha (1866), Irlanda (1888), Estados Unidos (1866) e Canadá (1891) tiveram *Mensageiros* de grande difusão.
> - O MEJ está enraizado na Ásia, na África e na América Latina, com nomes e formas locais.
> - A Rede combina unidade (as intenções do Papa, o Caminho do Coração) e diversidade (regulamentos e estruturas nacionais).

> [!Para refletir]
> - O que você gostaria de conhecer melhor sobre a Rede em outros países?
> - Como a consciência de rezar "com milhões de pessoas" pela mesma intenção pode mudar a sua oração de cada dia?

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# Apêndice A — Cronologia

| Data | Acontecimento |
|---|---|
| dez. 1673 – jun. 1675 | Aparições do Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque em Paray-le-Monial; São Cláudio de La Colombière, SJ, divulga as aparições [18, 19] |
| 3 dez. 1844 | Exortação do Pe. François-Xavier Gautrelet, SJ, aos escolásticos de Vals-près-le-Puy: nasce o Apostolado da Oração [1, 3] |
| 1849 | Pio IX concede as primeiras indulgências; aprovação do Bispo de Le Puy [1] |
| 1856 | Pio IX estende a festa do Sagrado Coração a toda a Igreja [17] |
| 1861 | Henri Ramière publica *O Apostolado da Oração, santa Liga...* e funda o *Mensageiro do Coração de Jesus* [1, 3] |
| 1864–1869 | *Mensageiros* na Itália, Áustria, EUA, Espanha, Colômbia, Hungria, Inglaterra, Holanda e Bélgica [1] |
| 1864 | O Apostolado chega a Portugal (Pe. António Marcocci) [27] |
| 1866 | Estatutos (primeira data registrada na cronologia oficial) [5] |
| 30 jun. 1867 | Primeiro centro no Brasil, no Recife (Pe. Bento Schembri, SJ) [1] |
| 1º out. 1871 | Pe. Bartolomeu Taddei funda o centro de Itu (SP) [1, 25] |
| 1874 | *Mensageiro* português [40] |
| 1879 | Revisão dos estatutos [5]; início da intenção mensal segundo a página oficial da Rede [3] |
| 1883 | 23ª Congregação Geral SJ acolhe a devoção ao Sagrado Coração [22] |
| 3 jan. 1884 | Morte do Pe. Henri Ramière (c. 35 mil centros, 13 milhões de membros) [1, 47]; o livreto e a Rede em Portugal datam-na em 1883 [1, 27] |
| 1888 | *Irish Messenger*, Dublin (Pe. James Cullen, SJ) [32] |
| 1890 | Leão XIII passa a confiar as suas intenções mensais ao Apostolado [10] |
| 1896 | Estatutos revistos e aprovados por Leão XIII [5, 6] |
| 1º jun. 1896 | *Mensageiro do Coração de Jesus* no Brasil [1] |
| 25 maio 1899 | Encíclica *Annum sacrum*: consagração do gênero humano ao Sagrado Coração [16] |
| 1900 | Primeiro Congresso Católico Brasileiro, na Bahia [1] |
| 1903–1904 | Construção do Santuário do Coração de Jesus em Itu [35] |
| 1907 | *Catholic Encyclopedia*: mais de 62.500 centros e 25 milhões de membros [6] |
| 3 jun. 1913 | Morte do Pe. Taddei; 1.390 centros no Brasil [1] |
| 1910 | Decreto *Quam singulari*, de Pio X, sobre a comunhão das crianças [45] |
| 1914 | Congresso Eucarístico de Lourdes pede uma "liga eucarística dos pequeninos" [36] |
| 1915 | 26ª Congregação Geral SJ confia a missão ao Apostolado [22]; "Cruzada das crianças" em Bordéus (13 nov.) [38] |
| 1918–1922 | O movimento passa a chamar-se Cruzada eucarística das crianças (1918) e Cruzada Eucarística (1922) [38] |
| 8 maio 1928 | Encíclica *Miserentissimus Redemptor* (Pio XI) [18] |
| 1930 | Primeiro Congresso do AO em Braga (Portugal) [27] |
| c. 1941 | 72 *Mensageiros* em 44 línguas [10, 33] |
| 1955 | Consagração do Brasil ao Sagrado Coração (36º Congresso Eucarístico Internacional, Rio de Janeiro) [1] |
| 15 maio 1956 | Encíclica *Haurietis aquas* (Pio XII) [17] |
| 1962 | A Cruzada passa a chamar-se Movimento Eucarístico Jovem [15, 36] |
| 19 fev. 1968 | Decreto da Sagrada Penitenciaria sobre as indulgências do AO [1] |
| 27 mar. 1968 | Aprovação dos novos Estatutos (Pe. Pedro Arrupe, Diretor Geral) [1] |
| 5 out. 1986 | Carta de João Paulo II ao Geral da Companhia, em Paray-le-Monial [20] |
| 2009/2010 | Início da Recriação (Pe. Adolfo Nicolás) [3, 11, 27] |
| nov. 2014 | *Click To Pray* nasce em Portugal [13] |
| 3 dez. 2014 | Documento *Um caminho com Jesus em disponibilidade apostólica*, aprovado pelo Papa Francisco [21] |
| jan. 2016 | Primeiro *Vídeo do Papa* [14] |
| 2016 | Pe. Frédéric Fornos, SJ, Diretor Internacional [11] |
| 27 mar. 2018 | A Rede é constituída Obra Pontifícia; novos Estatutos [21] |
| 28 jun. 2019 | 175 anos: cerca de 6 mil membros com o Papa Francisco na Sala Paulo VI [8, 41] |
| 17 nov. 2020 | Quirógrafo: a Rede torna-se Fundação Vaticana [4] |
| 1º out. 2021 | 150 anos do AO no Brasil [25] |
| 1º jul. 2024 | Novos Estatutos da Fundação Vaticana [5] |
| 24 out. 2024 | Encíclica *Dilexit nos* [19] |
| 1º jan. 2025 | Pe. Cristóbal Fones, SJ, Diretor Internacional [11] |
| 30 jan. 2026 | Audiência de Leão XIV à Rede [23] |
| 19 mar. 2026 | Regulamento Geral da Rede [24] |

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# Apêndice B — Estatutos de 1968 e indulgências

> [!Nota] Sobre este texto
> Reproduz-se aqui o texto dos Estatutos do Apostolado da Oração aprovados pela Santa Sé em 27 de março de 1968, com a carta de apresentação do Cardeal Amleto Giovanni Cicognani e o elenco das indulgências concedidas pela Sagrada Penitenciaria em 19 de fevereiro de 1968, conforme a tradução portuguesa do livreto *História e Estatutos do Apostolado da Oração* [1]. Estes Estatutos foram substituídos pelos de 2018 [21] e, depois, pelos da Fundação Vaticana (2020 e 2024) [4, 5]; têm hoje valor histórico e espiritual. As normas sobre indulgências devem ser conferidas com a disciplina atual da Igreja.

## Carta de Apresentação do Cardeal Amleto Giovanni Cicognani, Secretário de Estado do Papa Paulo VI, ao R. Pe. Pedro Arrupe, SJ, Diretor Geral do Apostolado da Oração

Cidade do Vaticano, 27 de março de 1968.

Reverendíssimo Padre:

Alegro-me em vos comunicar que o Sumo Pontífice, com a cuidadosa atenção que convinha, examinou os novos Estatutos do Apostolado da Oração, que, depois de revistos ultimamente por vós e pelos vossos colaboradores, propusestes reverentemente à Sua apreciação.

Bem conhecia Sua Santidade o grande esforço que a Companhia de Jesus tem empregado continuamente em promover e propagar essa Associação. Isso mesmo lhe manifestaram mais claramente os Novos Estatutos, movendo o Santo Padre a dedicar maior estima e benevolência a tão numerosa família dos que rezam, digna sem dúvida de ser incluída entre as mais salutares instituições que nasceram na Igreja e pela Igreja trabalham.

Depois do Concílio Ecumênico, de onde brotou tão rica abundância de doutrina e de normas para a Igreja católica, era natural que o Apostolado da Oração haurisse também dessa fonte nobilíssima a fecundidade duma vida mais robusta. Foi o que realmente fizestes, com resolução oportuna e sábia, procurando, ao compor os Novos Estatutos, que eles, renovados no espírito e na doutrina do Concílio, se adaptassem melhor às condições atuais da Igreja. Reconhecendo isso com alegria, o Vigário de Cristo não só aprova com sua autoridade estas normas, senão também deseja obsequiar com justo louvor a vós e a vossos companheiros, que tivestes o trabalho de elaborar.

Não passa de modo algum despercebida à S. Santidade a importância que têm esses novos Estatutos para alimentar mais substancialmente a vida apostólica dos associados. Embora não tencione ele percorrer cada ponto, não pode, contudo, deixar de enaltecer clara e efusivamente a estreita união com o Sacrifício Eucarístico, que se propõe aos associados do Apostolado da Oração por meio do oferecimento espiritual de si mesmos, a se fazer cada dia, de sorte que o Sacrifício da Missa se torne como que o centro e o fundamento de sua vida. Ninguém há que não veja como isso concorda belamente com as urgências que o Concílio propõe (cf. Const. Sacros. Concillium, 48; Const. Lumen Gentium, 11,34; Decr. Presbvt. Ordinis, 2,5).

Nem é menos digno de se louvar que o Apostolado da Oração tenha dado também muita importância ao culto do SS. Coração de Jesus, sobre o qual tratou longamente Pio XII, de veneranda memória, publicando aquela encíclica cheia de admirável doutrina e piedade que começa com as palavras "Haurietis aquas", datada de 15 de maio de 1956, quando se celebrava o centenário da instituição da festa litúrgica do Sacratíssimo Coração de Jesus para a Igreja Universal (cf. AAS., 48, 1956, pp. 309-353). Com efeito, a piedade eucarística, pela qual toda a vida dos fiéis se forma e se dispõe para participar perfeitamente da Sagrada Liturgia, conforme a mente do Sumo Pontífice expressa na Carta Apostólica "Investigabiles Divitias" (6 fev. 1965), se nutre também fartamente pela devoção ao SS. Coração de Jesus, a saber: pelo conhecimento, culto e imitação do amor do Divino Salvador "que amou até o fim os seus que estavam no mundo" (Jo 13,1). Além disso, segundo a promessa do Senhor: "Se permanecerdes em mim…, pedireis tudo o que quiserdes e vos será concedido" (Jo 15,7), os associados, no culto do SS. Coração, abrem para si e para os outros os insondáveis tesouros "de misericórdia e de graça" de Cristo (Ef 3,8; Prefácio do SS. Coração de Jesus).

Esses tesouros conferem maior fecundidade aos trabalhos apostólicos e contribuem muito eficazmente para a "renovação das mentalidades e dos costumes do mundo, de acordo com as exortações do Concílio Ecumênico Vaticano II" (Alocução de Paulo VI à Congregação Geral dos Padres Jesuítas, 17 nov. 1966).

Assim o Apostolado da Oração, conservando sua forma primitiva, mas tornando-a mais apta às necessidades do nosso tempo, conduz os seus membros a uma sólida e genuína piedade, uma vez que os ensina a transformar toda a sua vida em súplica e reparação.

Para atingir melhor esse objetivo, apraz ao Santo Padre relembrar aqueles subsídios instantemente inculcados pelo Concílio: uma devoção mais intensa ao Espírito Santo, que habita como num templo na Igreja e no coração dos fiéis (cf. 1Cor 3,16; 6,19), nos quais Ele ora e dá testemunho da adoção dos filhos (cf. Gl 4,6; Rm 8,15-16 e 26); uma participação ativa na Sagrada Liturgia, pela qual a Igreja instituiu seu colóquio inefável com Cristo e com Deus e, celebrando os sagrados mistérios, tira daí a abundância das graças divinas e a eficácia de suas preces.

Tudo isso aumenta uma jubilosa esperança de frutos espirituais, que o Augusto Pontífice deposita nessa quase inumerável multidão de almas orantes que, sob a direção do Vigário de Cristo e intimamente unidas com ele, não cessam de oferecer cada dia suas orações, ações e sofrimentos pelas necessidades da Igreja. Mas cresce igualmente a solicitude com que ele próprio recomenda essa piedosa Associação a todos os filhos da Igreja, de qualquer condição que sejam. Pois a ninguém se pode apresentar outro auxílio tão poderoso e tão prático, pelo qual os fiéis cristãos sejam formados e afervorados no sentir com a Igreja, no uso frequente da oração, no zelo apostólico e no recordar sempre aquele ponto capital de doutrina que é de suma importância no exercício do apostolado: "Não vale nada o que planta nem o que rega, mas o que faz crescer" (1Cor 3,7).

O Santo Padre, formulando ardentes votos para que o Apostolado da Oração cresça em número de membros e em santidade, com insistentes preces implora de Deus uma generosa abundância de graças que desenvolva as iniciativas dessa Associação; e como penhor da proteção divina, concede muito afetuosamente no Senhor a todos os Diretores e Associados a sua Bênção Apostólica.

Aproveito esta comunicação para me professar com todo o respeito.

Vosso muito dedicado

**A. G. Card. Cicognani**

## Introdução

O Concílio Vaticano II insiste muitíssimo na vocação de todos os fiéis ao apostolado. A fim de responder a essa obrigação, eles não somente são convidados a uma atividade externa, mas também são aconselhados a que fomentem em si próprios uma união vital com Cristo, a sustentem de modo especial pela Liturgia e pela meditação da Palavra de Deus e nela cresçam cumprindo a vontade divina. Nesse intuito, o Concílio recomenda particularmente as Associações que promovam uma união mais íntima entre a vida prática dos membros e a sua fé e exorta os leigos a que se esforcem por revestir fielmente a característica de vida espiritual própria da sua Associação. Por isso, pareceu oportuno que, assim como os Estatutos anteriores foram muitas vezes reformados, de acordo com as exigências dos tempos, assim agora se redigissem novos Estatutos que incluam a doutrina e o espírito do Vaticano II e adaptem o Apostolado da Oração às aspirações dos nossos dias.

## I. O que é o Apostolado da Oração

Por meio do Batismo, todos os fiéis participam do múnus sacerdotal, real e profético de Cristo, e são destinados pelo Senhor para a atividade apostólica de sua vocação. Dentro dessa vocação universal ao apostolado, o Apostolado da Oração constitui a união dos fiéis que, por meio do oferecimento cotidiano de si mesmos, se juntam ao Sacrifício Eucarístico, no qual se exerce continuamente a obra de nossa redenção, e dessa forma, pela união vital com Cristo, da qual depende a fecundidade apostólica, colaboram na salvação do mundo.

Assim como Cristo, ensinando e praticando as obras de misericórdia, propagou seu Reino e ao mesmo tempo remiu o mundo, oferecendo desde o início sua vida ao Pai pelos homens, rogando por eles e consumando sua oblação pelo mérito pascal; assim também todo apostolado externo deve estar unido à oração e ao sacrifício a fim de que, em virtude do Sacrifício da Cruz, contribua para a edificação do Corpo de Cristo.

De sua parte, essa relação com Cristo, Sumo Sacerdote, necessariamente requer uma íntima união com Ele por meio do amor pessoal. Por isso, o Apostolado da Oração atribui singular importância ao culto do Coração de Jesus, pelo qual os fiéis, penetrando mais profundamente no mistério do amor de Cristo e daí participando mais estreitamente do mistério pascal do Senhor, correspondem ao amor com que nosso Salvador, imolando-se pela salvação do mundo, do seu Coração transpassado deu vida à Igreja (Jo 19,34).

## II. Programa do Apostolado da Oração para a vida espiritual

Para exercer esta vocação apostólica, o Apostolado da Oração oferece aos fiéis um programa de espiritualidade apostólica, cujo centro é o Sacrifício Eucarístico. Esse programa consta dos seguintes elementos:

### 1. Sacrifício da Missa com o oferecimento cotidiano

O Sacrifício da Missa é a fonte e o ponto culminante da evangelização de onde emana todo o vigor da atividade da Igreja. É necessário, portanto, que a espiritualidade dos fiéis seja determinada pelo mistério Eucarístico, penetre e informe sua vida e os leve a uma consciente e vital participação desse mistério.

Por isso o Apostolado da Oração insiste no Oferecimento cotidiano, pelo qual cada um oferece a si próprio a Deus, por Cristo, a saber: todas as orações, trabalhos, sofrimentos e alegrias, pelas necessidades da Igreja e ainda pela salvação do mundo inteiro. É o que enuncia o Vaticano II com estas palavras:

> \\\\\\\\\\\\\\\[Cristo] "concede também uma participação no seu múnus sacerdotal àqueles que associou intimamente à Sua vida e missão, a fim de que exerçam um culto espiritual, para glória de Deus e salvação dos homens. Por essa razão os leigos, enquanto consagrados a Cristo e ungidos pelo Espírito, são admiravelmente chamados e providos para se produzirem neles sempre mais abundantes os frutos do Espírito. Assim, todas as suas obras, orações e empreendimentos apostólicos, a vida conjugal e familiar, o trabalho cotidiano, o descanso mental e corporal, se forem feitos no Espírito, e mesmo os incômodos da vida, suportados com paciência, se tornam como 'hóstias espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo' (1Pd 2,5), oferecidas piedosamente ao Pai, juntamente com a oblação do corpo do Senhor, na celebração da Eucaristia.
>
> Desse modo também os leigos, como adoradores agindo santamente em toda a parte, consagram a Deus o próprio mundo" (\\\\\\\\\\\\\\\*Lumen Gentium\\\\\\\\\\\\\\\*, 34).

Essa oblação espiritual que pertence ao exercício do sacerdócio comum dos fiéis é simultaneamente exercício do seu múnus profético, uma vez que exige o testemunho de vida, caridade, trabalho e atividade apostólica; segue-se daí que, vivendo conforme a oblação feita, dão eles testemunhos à verdade e manifestam diante dos homens a Cristo que vive nos fiéis.

Tal testemunho da vida toda, promanando da fé, esperança e caridade, é a condição inicial de qualquer apostolado, e nada se pode substituir em seu lugar.

Entretanto, tendo o Senhor instituído o Sacrifício Eucarístico em forma de banquete, os associados, seguindo a recomendação do Vaticano II, não só participam da celebração Eucarística frequentemente e até cada dia, se possível, mas ainda recebem nela o Corpo do Senhor, sacramento de piedade, sinal de unidade e vínculo de caridade.

### 2. Culto ou espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus

Cristo por amor não só entregou sua vida por nós (1Jo 3,16), mas também nos incorpora no mistério de sua vida e nos transforma numa geração eleita e num sacerdócio real (1Pd 2,9).

É preciso, por conseguinte, que Lhe respondamos com o nosso amor. Ora, a Igreja nos ensina que o amor de Cristo está principalmente representado no Seu Coração e nos convida a que reverenciemos esse amor, simbolizado pelo Coração de Cristo, como fonte de salvação e de misericórdia. Por isso o Apostolado da Oração se empenha com ardor para que seus membros se familiarizem com a prática e com a espiritualidade do culto ao Coração de Jesus. Correspondendo ao amor de Nosso Senhor, a Ele se consagram pessoalmente, a Ele oferecem reparação pelos pecados próprios e do mundo, exercitam e fomentam as práticas dessa devoção aprovadas pela Igreja. Oxalá imitem o exemplo do amor de Cristo aos irmãos, e com a caridade, difundida em nossos corações pelo Espírito, Lhe retribuam o amor com que, pelo Coração humano, nos amou.

### 3. Devoção à Santíssima Virgem Maria

Os membros do Apostolado da Oração veneram com filial amor a Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, ligada tão intimamente à obra da Redenção. Para imitar o exemplo dela, que, de coração generoso, se consagrou totalmente, como serva do Senhor, à pessoa e à missão do seu Filho, façam a Deus o oferecimento próprio por meio dela, pois que é a nossa Medianeira junto ao seu Filho. Rezem cada dia o terço do Rosário, ou pelo menos um mistério, e recomendem com insistência ao seu Coração materno todas as preocupações da Igreja. Promovam com generosidade o culto a Maria Santíssima, especialmente o litúrgico, lembrados de que a união imediata dos fiéis com Cristo não é de modo algum impedida, mas antes facilitada pela devoção à Sua Mãe.

### 4. Vontade de sentir com a Igreja

Para que a Igreja possa cumprir sua missão, unindo todos os homens com Cristo e entre si, e realizar a edificação de seu Corpo pelo Sacrifício Eucarístico, é necessário que todos os associados promovam em si e nos outros a vontade de sentir com a Igreja universal e participem de suas solicitudes. Nesse intuito, fazem o oferecimento diário por aquelas intenções que o Sumo Pontífice propõe para cada mês, por meio do Apostolado da Oração, ou recomenda, nos casos urgentes, às orações dos fiéis.

De bom grado incluem também no seu oferecimento as solicitudes pelas quais os Bispos pedem orações na sua região.

### 5. Cuidado assíduo de orar

Além do mais, os associados estão convencidos de que o gênero humano se encontra hoje numa nova idade da sua história, é agitado por profundas e rápidas mudanças e por um grave desequilíbrio. É, portanto, sobremodo urgente o dever de orar com fervor e sem interrupção, para que o mundo, libertado por Cristo, que, pela cruz e ressurreição, destruiu o poder do Maligno, se transforme de acordo com os desígnios de Deus e atinja a sua perfeição. Por conseguinte, obedecendo ao preceito do Senhor de orar sempre sem nunca desfalecer (Lc 18,1), os associados assumem tudo o que se refere ao cultivo da prática da oração. Seguindo o exemplo da Igreja, que não cessa de receber o pão da vida na mesa tanto da Palavra de Deus como do Corpo de Cristo, apreciam a leitura e meditação frequente da Sagrada Escritura, cultivam a recomendada oração mental e as várias formas de preces que livremente escolhem, fazem eles mesmos e promovem entre os outros os Retiros e Exercícios Espirituais, que são uma excelente escola de oração e de união com Deus na ação.

## III. A atividade do Apostolado da Oração na ação pastoral dos nossos dias

Aos pastores de almas e aos fiéis, o Apostolado da Oração oferece meios para que se formem e exerçam o apostolado para que possam ajudar todos os outros fiéis a preparar-se para a vida cristã e para o apostolado.

### 1. Formação de zeladores

Para promover o Apostolado da Oração e o espírito apostólico, recebam, em maior número possível, uma formação espiritual particular aqueles que são chamados zeladores. Por isso, o Apostolado da Oração promove cursos de formação bíblica, espiritual, apostólica, litúrgica, ecumênica, segundo o cap. 6 do decreto do Vaticano II sobre o apostolado dos leigos. Formados por uma espiritualidade mais íntima do Coração de Jesus, penetrem mais profundamente no mistério de Cristo e aprendam a unir a oração e a ação; de tal modo que possam não só exercer o apostolado pelo testemunho da vida, mas também, pela palavra, reconduzir a Cristo os descrentes e levar os fiéis a uma vida mais fervorosa.

### 2. Forma de apostolado a exercer

Todos os membros do Apostolado da Oração, sobretudo os zeladores, promovam, entre aqueles com quem convivem, tudo o que pertence ao espírito e ao programa do Apostolado da Oração; zelem por todos os modos, mesmo pelos meios atuais de comunicação social, para que a prática de orar e de viver cristãmente se intensifique cada vez mais entre os fiéis. Persuadam-se os sacerdotes e os apóstolos leigos de que, neste programa de vida espiritual, dispõem de um meio fácil e eficaz para ajudar a si mesmos e aos outros, no sentido da vida cristã e apostólica.

## IV. Estrutura do Apostolado da Oração

1. O Apostolado da Oração tem uma estrutura própria, embora adaptável às diversas condições.
2. O Diretor Geral do Apostolado da Oração é o Padre Geral da Companhia de Jesus, que pode delegar o seu ofício a outro de sua escolha. Este, por sua vez, no exercício do seu cargo, é ajudado nas diversas regiões pelos secretários/diretores nacionais, ou regionais, segundo exercem o próprio ofício para toda a nação ou para esta ou aquela região, ou ainda para algumas obras do Apostolado da Oração. Estes são nomeados pelo Diretor Geral, respeitando o que, em cada nação, tiver sido legitimamente estabelecido pela autoridade eclesiástica quanto a essas nomeações.
3. Em cada diocese, haja um ou, se parecer oportuno por circunstâncias particulares, mesmo vários diretores diocesanos, que sejam sacerdotes, e que, comunicado o fato ao secretário/diretor nacional, são nomeados pelo bispo diocesano. O diretor diocesano erige os centros locais e nomeia os diretores locais, que podem ser os párocos ou outros sacerdotes, ou também religiosos ou leigos, de ambos os sexos.
4. Segundo as condições de tempo e de lugar, tanto o diretor diocesano como o local e o secretário/diretor nacional ou regional tenham um conselho, ou diretoria de leigos, segundo as normas canônicas em vigor.
5. Para que alguém seja membro do Apostolado da Oração requer-se ou a inscrição, ou algum outro sinal externo com que se manifeste ao diretor local ou ao seu delegado a vontade de pertencer a essa associação. Cabe ao secretário/diretor nacional, depois de ouvir aqueles a quem o caso interessa, determinar o modo de se fazer a inscrição. Quanto aos zeladores, porém, procurem os diretores que entre eles se observe pelo menos aquela forma de organização que se exige para o exercício do apostolado ordenado.
6. Para que se guarde a unidade de ação com maior eficácia apostólica, compete ao secretariado nacional a edição de revistas, folhetos e escritos destinados a promover o Apostolado da Oração. As revistas, entretanto, seja qual for o nome com que se publiquem, correspondam sempre ao fim do Apostolado da Oração e indiquem, pelo menos nas páginas internas, que são revistas do Apostolado da Oração.

## V. Seções

Para que o Apostolado da Oração se adapte às condições da Igreja e das pessoas, há nele seções peculiares, por exemplo, para os jovens, para os homens, para os doentes, para a união de todos os cristãos etc., as quais se designam com nomes próprios e se regem por normas apropriadas. As novas seções, que não ultrapassem os limites da própria nação, podem ser instituídas pelo secretário/diretor nacional, com o consentimento do diretor diocesano; outras seções, que excedam estes limites, precisam da aprovação do secretariado geral.

## VI. Aprovação dos Estatutos

Tendo sido aprovados pela Santa Sé, estes Estatutos não podem ser mudados, a não ser pela mesma autoridade. Será lícito, porém, com a aprovação do Diretor Geral, fazer as adaptações que parecerem úteis, segundo circunstâncias dos lugares.

*Aprovados pela Santa Sé aos 27 de março de 1968.*

## Novas indulgências concedidas pela Santa Sé ao Apostolado da Oração

A Constituição Apostólica do Papa Paulo VI "Indulgentiarum Doctrina", datada de 1º de janeiro de 1967, determinava que as associações fizessem uma revisão das indulgências a elas concedidas, para se acomodarem à nova lei.

A Santa Sé, com um Decreto da Sagrada Penitenciaria, datado de 19 de fevereiro de 1968, concede aos membros do Apostolado da Oração as seguintes indulgências:

### 1. Indulgências Plenárias

1. No dia da Inscrição no AO;
2. No dia da Consagração ao Sagrado Coração;
3. Na festa de S. Francisco Xavier, padroeiro principal do AO (3 de dezembro);
4. Na festa do Sagrado Coração de Jesus;
5. Na festa de Cristo Rei;
6. Na festa da Imaculada Conceição (8 de dezembro);
7. Na festa de S. Pedro e S. Paulo (29 de junho);
8. No dia da renovação anual da consagração ao Sagrado Coração.

### 2. Condições para se ganhar estas Indulgências

- a) Confissão sacramental;
- b) Comunhão sacramental;
- c) Rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, diante do Santíssimo Sacramento, pelas intenções do Papa;
- d) Fazer ou renovar, mesmo em particular, a promessa de guardar fielmente os Estatutos do AO.

> [!Nota] Nota do livreto e nota desta edição
> O livreto brasileiro acrescentava aqui uma explicação popular: a indulgência seria "um presente da Igreja, Mãe e Mestra, para sanar as consequências de nossas culpas" [1]. Para a definição doutrinal precisa — a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa —, veja-se o Catecismo da Igreja Católica, n. 1471 [44].

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# Apêndice C — Glossário

**Apóstolo da oração.** Nos Estatutos de 2018, quem faz a consagração pessoal ou "aliança" com Jesus e se dispõe a servir às comunidades da Rede e do MEJ [21].

**Caminho do Coração.** Itinerário espiritual da Rede, em nove passos, para identificar-se com os sentimentos, a vontade e os projetos de Jesus [5, 21].

**Centro.** Unidade local do Apostolado da Oração, erigida em paróquias e instituições; no século XIX, exigia um diploma de agregação [6].

**Click To Pray.** Plataforma digital de oração da Rede, nascida em Portugal em 2014 e internacional desde 2016 [13].

**Companhia de Jesus (SJ).** Ordem religiosa dos jesuítas, à qual a Santa Sé confia o Apostolado da Oração e o MEJ [5, 21].

**Consagração.** Entrega de si (ou de uma família, comunidade ou nação) ao Coração de Jesus [1, 17].

**Diretor Internacional.** Responsável pela Rede em nível mundial, nomeado pelo Papa por proposta do Superior Geral dos jesuítas [5, 21].

**Escolástico.** Jesuíta em formação, ainda não ordenado; eram escolásticos os primeiros membros do Apostolado, em Vals [1].

**Fundação Vaticana.** Forma jurídica da Rede desde 2020: pessoa jurídica canônica e vaticana com sede no Vaticano [4, 5].

**Intenção mensal.** Pedido de oração que o Papa confia à Igreja por meio da Rede a cada mês [3, 21].

**Mensageiro do Coração de Jesus.** Revista mensal do Apostolado, fundada em 1861, com edições nacionais em dezenas de línguas [1, 3].

**MEJ.** Movimento Eucarístico Jovem, braço jovem da Rede, herdeiro da Cruzada Eucarística [15, 21].

**Obra Pontifícia.** Instituição a serviço direto da Santa Sé; a Rede foi assim constituída em 27 de março de 2018 [21].

**Oferecimento diário.** Oração da manhã pela qual o fiel oferece o seu dia a Deus, unido ao sacrifício de Cristo, pelas intenções do Papa [1, 21].

**Primeira sexta-feira.** Dia tradicional da comunhão reparadora; nos Estatutos de 2018, "Dia mensal de oração pelas intenções do Papa" [18, 21].

**Quirógrafo.** Documento pontifício escrito e assinado pelo Papa, com força jurídica [4].

**Recriação.** Processo de renovação do Apostolado iniciado em 2009, que deu origem à Rede Mundial de Oração do Papa [3, 21].

**Reparação.** Oferta de oração e sacrifícios em compensação pelos pecados próprios e do mundo, em resposta ao amor de Cristo [1, 18].

**Zelador.** No modelo de 1968, membro mais comprometido que recebe formação especial e anima os demais [1].

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# Referências

[1] *História e Estatutos do Apostolado da Oração*. Livreto do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração (Brasil), transcrito em Markdown. (arquivo do usuário: Apostolado da Oração - História e Estatutos.md)

[2] *Relatório — Nomes, Datas e Referências*. Índice analítico do livreto anterior. (arquivo do usuário: Relatório - Nomes, Datas e Referências.md)

[3] REDE MUNDIAL DE ORAÇÃO DO PAPA. *Who we are*. Pope's Worldwide Prayer Network, s.d. https://www.popesprayer.va/who-we-are/ (acesso em 2026-09-28).

[4] FRANCISCO, Papa. *Quirógrafo para a constituição em pessoa jurídica canônica e vaticana da Fundação "Rede Mundial de Oração do Papa"*. Vaticano, 17 nov. 2020. https://www.vatican.va/content/francesco/en/letters/2020/documents/papa-francesco_20201117_chirografo-retepreghiera-delpapa.html (acesso em 2026-09-28).

[5] SANTA SÉ. *Estatutos da Fundação Vaticana "Rede Mundial de Oração do Papa"*. Vaticano, 1º jul. 2024. https://www.vatican.va/content/francesco/en/motu_proprio/documents/20240701-statuto-rete-mondiale-preghiera.html (acesso em 2026-09-28).

[6] WYNNE, John J. The Apostleship of Prayer. In: *The Catholic Encyclopedia*. v. 1. New York: Robert Appleton, 1907. https://www.newadvent.org/cathen/01633a.htm (acesso em 2026-09-28).

[7] ARCHIVUM ROMANUM SOCIETATIS IESU. *Apostleship of Prayer Collection*. https://arsi.jesuits.global/en/archival-holdings/apostleship-of-prayer-collection/ (acesso em 2026-09-28).

[8] FRANCISCO, Papa. *Discurso aos participantes no Encontro Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração)*. Vaticano, 28 jun. 2019. https://www.vatican.va/content/francesco/en/speeches/2019/june/documents/papa-francesco_20190628_apostolato-dipreghiera.html (acesso em 2026-09-28).

[9] FRANCISCO, Papa. *Discurso aos membros da Fundação Rede Mundial de Oração do Papa*. Vaticano, 23 jan. 2025. https://www.vatican.va/content/francesco/en/speeches/2025/january/documents/20250123-rete-mondiale-preghiera.html (acesso em 2026-09-28).

[10] URBANSKI, Grace Mazza. The power of the Pope's Worldwide Prayer Network. *America Magazine*, 21 nov. 2025. https://www.americamagazine.org/faithinfocus/2025/11/21/pope-worldwide-prayer-network/ (acesso em 2026-09-28).

[11] COMPANHIA DE JESUS. *New International Director for Pope's Worldwide Prayer Network*. jesuits.global, 6 dez. 2024. https://www.jesuits.global/2024/12/06/new-international-director-for-popes-worldwide-prayer-network/ (acesso em 2026-09-28).

[12] VATICAN NEWS. *Pope launches his Click to Pray app profile*. 20 jan. 2019. https://www.vaticannews.va/en/pope/news/2019-01/pope-launches-click-to-pray-app.html (acesso em 2026-09-28).

[13] RÁDIO VATICANO. *Pope's "Click to Pray" app ready for launch*. 4 mar. 2016. https://www.archivioradiovaticana.va/storico/2016/03/04/popes_click_to_pray_app_ready_for_launch/en-1212668 (acesso em 2026-09-28).

[14] PENTIN, Edward. First Papal Prayer Intentions Video Released. *National Catholic Register*, 5 jan. 2016. https://www.ncregister.com/blog/first-papal-prayer-intentions-video-released (acesso em 2026-09-28).

[15] BARRIGA, Claudio. *The Eucharistic Youth Movement, 98 years of experience*. Rocca di Papa: Pontifício Conselho para os Leigos, 2012. https://www.laici.va/content/dam/laici/documenti/giovani/madrid2011-rio2013/english/testimony-eucharistic-youth-movement.pdf (acesso em 2026-09-28).

[16] LEÃO XIII, Papa. *Annum sacrum*: carta encíclica sobre a consagração do gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus. Roma, 25 maio 1899. https://www.vatican.va/content/leo-xiii/en/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_25051899_annum-sacrum.html (acesso em 2026-09-28).

[17] PIO XII, Papa. *Haurietis aquas*: carta encíclica sobre o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Roma, 15 maio 1956. https://www.vatican.va/content/pius-xii/en/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_15051956_haurietis-aquas.html (acesso em 2026-09-28).

[18] PIO XI, Papa. *Miserentissimus Redemptor*: carta encíclica sobre a reparação devida ao Sagrado Coração de Jesus. Roma, 8 maio 1928. https://www.vatican.va/content/pius-xi/en/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19280508_miserentissimus-redemptor.html (acesso em 2026-09-28).

[19] FRANCISCO, Papa. *Dilexit nos*: carta encíclica sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus Cristo. Roma, 24 out. 2024. https://www.vatican.va/content/francesco/en/encyclicals/documents/20241024-enciclica-dilexit-nos.html (acesso em 2026-09-28).

[20] JOÃO PAULO II, Papa. *Carta ao Prepósito Geral da Companhia de Jesus*. Paray-le-Monial, 5 out. 1986. https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/it/letters/1986/documents/hf_jp-ii_let_19861005_preposito-francia.html (acesso em 2026-09-28).

[21] REDE MUNDIAL DE ORAÇÃO DO PAPA. *Estatutos da Rede Mundial de Oração do Papa, incluindo o seu braço jovem, o Movimento Eucarístico Jovem*. Vaticano, 27 mar. 2018. Ed. brasileira: São Paulo, Sede Nacional do AO-MEJ, 2018. https://aomej.org.br/wp-content/uploads/2018/07/Estatuto_AO_140x210mm-OK.pdf (acesso em 2026-09-28).

[22] COMPANHIA DE JESUS. *The Pope's Worldwide Prayer Network: 22 million people, one prayer, a renewed mission*. jesuits.global, 24 abr. 2026. https://www.jesuits.global/2026/04/24/the-pope-s-worldwide-prayer-network-22-million-people-one-prayer-a-renewed-mission/ (acesso em 2026-09-28).

[23] LEÃO XIV, Papa. *Discurso aos membros da Rede Mundial de Oração do Papa*. Vaticano, 30 jan. 2026. https://www.vatican.va/content/leo-xiv/en/speeches/2026/january/documents/20260130-rete-preghiera.html (acesso em 2026-09-28).

[24] VATICAN NEWS. *Novo Regulamento Geral da Rede Mundial de Oração do Papa*. mar. 2026. https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-03/novo-regulamento-geral-rede-mundial-oracao-papa-sao-jose-missao.html (acesso em 2026-09-28).

[25] VATICAN NEWS. *Papa envia mensagem pelos 150 anos do Apostolado da Oração no Brasil*. set. 2021. https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2021-09/papa-envia-mensagem-pelos-150-anos-do-apostolado-oracao-brasil.html (acesso em 2026-09-28).

[26] WELTER, Roseane. Apostolado da Oração no Brasil: há 150 anos, um itinerário de fé, oração e caridade. *O São Paulo*, 16 out. 2021. https://osaopaulo.org.br/brasil/apostolado-da-oracao-no-brasil-ha-150-anos-um-itinerario-de-fe-oracao-e-caridade/ (acesso em 2026-09-28).

[27] REDE MUNDIAL DE ORAÇÃO DO PAPA (PORTUGAL). *História da Rede Mundial de Oração do Papa*. https://redemundialdeoracaodopapa.pt/quem-somos/historia-da-rede-mundial-de-oracao-do-papa/ (acesso em 2026-09-28).

[28] *Henri Ramière*. In: WIKIPÉDIA: l'encyclopédie libre. https://fr.wikipedia.org/wiki/Henri_Rami%C3%A8re (acesso em 2026-09-28).

[29] *François-Xavier Gautrelet*. In: WIKIPÉDIA: l'encyclopédie libre. https://fr.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois-Xavier_Gautrelet (acesso em 2026-09-28).

[30] *Pope's Worldwide Prayer Network*. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Pope%27s_Worldwide_Prayer_Network (acesso em 2026-09-28).

[31] INFOSJ (Jesuitas España). *La revista Mensajero celebra sus 150 años de publicación ininterrumpida*. 16 nov. 2016. https://infosj.es/noticias/9061-la-revista-mensajero-celebra-sus-150-anos-de-publicacion-ininterrumplida (acesso em 2026-09-28).

[32] JESUITS IRELAND. *Sacred Heart Messenger*. https://jesuit.ie/where-we-are/communications/sacred-heart-messenger/ (acesso em 2026-09-28).

[33] *Messenger of the Sacred Heart*. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Messenger_of_the_Sacred_Heart (acesso em 2026-09-28).

[34] JESUÍTAS BRASIL. *Movimento Eucarístico Jovem comemora 102 anos*. 4 jul. 2017. https://jesuitasbrasil.org.br/movimento-eucaristico-jovem-comemora-102-anos/ (acesso em 2026-09-28).

[35] *Bartolomeu Taddei*. In: WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. https://pt.wikipedia.org/wiki/Bartolomeu_Taddei (acesso em 2026-09-28).

[36] REDE MUNDIAL DE ORAÇÃO DO PAPA. *Movimento Eucarístico Juvenil*. https://www.popesprayer.va/pt-pt/movimento-eucaristico-juvenil/ (acesso em 2026-09-28).

[37] REDE MUNDIAL DE ORAÇÃO DO PAPA. *#OCaminhoDoCoração — Passo 7: "Damos a vida juntamente com Ele"*. Issuu (conta oficial popesprayernet), s.d. https://issuu.com/popesprayernet/docs/7._passo_7_-_damos_a_vida_juntamente_com_ele (acesso em 2026-09-28).

[38] LALOUX, Ludovic. Chapitre 11. La Croisade des enfants: un mouvement spirituel et patriotique fondé en 1915 au cours Saint-Seurin à Bordeaux. In: CONDETTE, Jean-François (dir.). *Les Écoles dans la guerre*. Villeneuve-d'Ascq: Presses universitaires du Septentrion, 2014. p. 255-270. https://books.openedition.org/septentrion/7203 (acesso em 2026-09-28).

[39] BIBLIOTHÈQUE NATIONALE DE FRANCE. *Notice de personne: Gautrelet, François-Xavier (1807-1886)*. Catalogue général. https://catalogue.bnf.fr/ark:/12148/cb107049255 (acesso em 2026-09-28).

[40] AGÊNCIA ECCLESIA. *125 anos de Apostolado da Oração*. 2006. https://agencia.ecclesia.pt/portal/125-anos-de-apostolado-da-oracao/ (acesso em 2026-09-28).

[41] VATICAN NEWS. *Pope: Prayer Network is a mission of compassion for the world*. 28 jun. 2019. https://www.vaticannews.va/en/pope/news/2019-06/pope-prayer-network-is-a-mission-of-compassion-for-the-world.html (acesso em 2026-09-28).

[42] ARQUIDIOCESE DE MARIANA. *Há 150 anos, nascia o Apostolado da Oração no Brasil*. 1º out. 2021. https://arqmariana.com.br/noticia/ha-150-anos-nascia-o-apostolado-da-oracao-no-brasil/ (acesso em 2026-09-28).

[43] CONCÍLIO VATICANO II. *Lumen Gentium*: constituição dogmática sobre a Igreja. Roma, 21 nov. 1964. https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html (acesso em 2026-09-28).

[44] *Catecismo da Igreja Católica*. Segunda parte, seção II, cap. 1 (n. 1420-1532). https://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1420-1532_po.html (acesso em 2026-09-28).

[45] SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. *First penance, first communion*. 31 mar. 1977. https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cclergy/documents/rc_con_cclergy_doc_19770331_penance-communion_en.html (acesso em 2026-09-28).

[46] PREFEITURA DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE ITU. *Semana Padre Bartolomeu Taddei começa no dia 1º de junho*. https://itu.sp.gov.br/semana-padre-bartolomeu-taddei-comeca-no-dia-1o-de-junho/ (acesso em 2026-09-28).

[47] BIBLIOTHÈQUE NATIONALE DE FRANCE. *Notice de personne: Ramière, Henry (1821-1884)*. Catalogue général. https://catalogue.bnf.fr/ark:/12148/cb13001982g (acesso em 2026-09-28).
